quarta-feira, 24 de julho de 2013

Eu quero amar!!!

Estávamos hoje em uma discussão fervorosa sobre o tema “amor”. É sempre assim quando se encontram alguns românticos com outros desiludidos realistas (estou no segundo grupo, rsrsrs). Falávamos, um amigo eu eu, os únicos do grupo 2, sobre a idealização que se faz do amor, sobre a magia que se cria... o homem ideal, a mulher perfeita, as almas gêmeas, o grande e único amor... E talvez seja por isso que sofremos tanto, esperando por algo que não existe e deixando de viver as coisas boas e reais, aguardando a magia acontecer. Mágico mesmo é deixar o coração livre e pronto para amar não uma vez, mas inúmeras vezes; o namoradinho da infância quando se tem tanta vergonha que nem os olhares se cruzam, na adolescência quando tudo é tão intenso e vivido em extremos... alegria demais ou tristeza demais. Longos namoros da juventude, quando um deles pode se tornar o companheiro da maturidade.
O ideal será realmente guardar todo o nosso amor para uma única pessoa? Isso realmente existe? Não consigo aceitar essa ilusão! Às vezes uma mesma panela pode ter várias tampas que lhe sirvam bem. É preciso abandonar certos idealismos, certos arquétipos criados e arraigados na sociedade. Para amar baste ter disposição! Disposição para doar esse amor e recebê-lo de volta, ou não! É um risco que se assume várias vezes durante a vida, e que vai nos levando a um maior amadurecimento emocional.
É bom amar alguém por uma noite apenas, um encontro, horas, minutos. Sim... abrir o coração naquele momento e sentir o que a ocasião tem a oferecer. Sabe quando você bate o olho em alguém na rua e pensa “uau!”, quando cruza olhares insistentes com aquela pessoa na balada, quando rola aquele papinho cheio de segundas intenções no chat? Sempre temos nesses instantes um sorriso no rosto e uma sensação gostosa que nos invade. E isso é amor? E por que não ser? Por que um sentimento tão lindo precisa vir tão carregado de comprometimentos, responsabilidades, cerimônias, rituais, pressão? Essa “coisa” pesada com certeza não é amor!
Se o Roberto Carlos queria ter um milhão de amigos, eu quero ter, além dos amigos, um milhão de amores... amores soltos, leves, alegres, que deixem saudade e sempre algo de bom! E assim como Florbela Espanca, com que tanto me identifico, através de seus belos poemas...
Amar!

“Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...”