domingo, 28 de junho de 2015

Querida Julieta...

Eu morreria por ele, eu abandonaria tudo pra estar com ele mais uma vez! Mas meu amor não deve existir, esse sentimento que toma conta de mim não tem o direito de se concretizar. Sabe, não somos de famílias inimigas como você e seu Romeu... mas talvez fosse mais fácil! E apesar de não me faltar a mesma coragem que tiveste para lutar por seu amor, isso não é suficiente. Eu o amo há tempos, além dessa vida, um amor tão forte que perdura apesar da completa ausência do meu amado. Não acredito que esse amor seja recíproco, ou não faltaria a ele a mesma coragem que carrego. Ele foi meu primeiro amor, e até o momento o único realmente capaz de tocar minha alma. Se me fosse concedido um desejo, pediria todas as vidas ao lado dele. Existe um enorme vazio em todo o espaço que ele ocupou em minha vida... e como ele ainda ocupa, hoje é um vazio preenchido por uma saudade torturante, uma tristeza profunda, uma ausência inexplicável. Ele é essa lembrança que carrego a cada dia e essa esperança boba de que “quem sabe um dia”. Ele faz com que a minha vida passe por longas pausas à espera de que ele venha e me dê um presente e um futuro que substitua esse passado inesquecível. Eu queria a chance de novamente olhar aqueles olhos e dizer que o amo... por todas as vidas! Queria tornar real o abraço com o qual sonho todas as noites. Queria que fosse possível!

Talvez algum dia, eu viva a mesma emoção de Claire ao reencontrar seu Lorenzo. Quem sabe escreva uma nova carta, contando sobre a alegria de entregar a ele esse amor todo. Talvez eu descubra que realmente “nunca é tarde”, e que cada lágrima e cada dia de tristeza e saudade serão substituídos pelos abraços que eu tanto espero. Talvez eu possa permitir que minha alma diga a ele pessoalmente o que sussurra todas as noites para o vazio do quarto “Eu te amo... pra sempre!”

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Eu ainda te amo, mas não quero estar apaixonada...

Você foi uma das minhas paixões mais intensas... que acabou tão rápido quanto começou. E sabe... poucas coisas são mais doloridas do que sufocar a paixão por não ser correspondida. Fica aquela coisa dentro do peito louca pra escapar, aquele grito querendo gritar, aquele abraço querendo abraçar, aquele beijo querendo infinitamente beijar... É algo que no início não dá pra controlar, não dá pra sufocar, não dá pra fingir que não existiu.
A paixão não aceita ser outra coisa, e também não sabe abrandar, ou existe e se apodera totalmente da gente ou simplesmente num belo dia, se foi. É devastadora! Quando a gente se apaixona tudo se torna a outra pessoa, cada segundo do dia é pensando no outro, você se arruma pra ele, tudo o que vê faz se lembrar dele, entrega o coração, a alma e a vida naquelas mãos. E daí se o outro não está pronto pra segurar isso tudo? E daí se simplesmente não quer? A paixão é risco, e ter que conviver com as consequências desse risco pode ser destruidor.
Já o amor nada tem de loucura. Enquanto a paixão é aquela chama consumindo tudo, o amor é como aquela tarde de outono, de sol ameno, céu azul e uma brisa gostosa e calma. Vai chegando aos poucos, e aumentando com o tempo de uma forma que nos permite a adaptação. Diferente do que se diz por aí, o amor não é cego, a paixão sim! Quando se ama, o outro não é perfeito, porque nós também não somos. O amor não esconde as fragilidades de cada um, não faz com que você ignore na outra pessoa coisas que ainda precisam amadurecer, e que você sabe que com o tempo irão. A paixão nos cega pra tudo, e quando aquele por quem você se apaixonou decide que “não dá mais”, parece que aqueles “defeitos” caem numa avalanche na nossa frente. Você para pra pensar em “como não viu isso antes... como não notou que nunca daria certo?” Quando a paixão era só paixão, você descobre um estranho naquele a quem julgava conhecer tão bem.

É por isso que sei, ainda te amo, mas não... não quero estar novamente apaixonada. O período de recuperação foi o mais doloroso de toda minha vida. Esperar para que a paixão se esgotasse totalmente foi uma eternidade de lágrimas. Mas, que bom que além da paixão, havia amor. E quando a nuvem dela que encobria meus olhos se afastou, tudo ficou mais fácil. Quando só o amor ficou eu pude entender... e o mais importante, aceitar. Eu deixei de procurar o que tinha feito de errado e de me culpar por mais um fracasso. Então, o amor, que diferente da paixão, aceita a transformação, tornou-se um carinho gostoso e fácil de carregar. Assim, meu coração era novamente meu, ainda que levando muito de você aqui dentro, e minha vida era toda minha, permitindo que eu escolhesse quando e onde colocar você nela. O amor me deu orgulho pra não pedir o que você não pode me oferecer, me ensinou a ser “viva” mesmo com sua total ausência em momentos que eu tanto precisaria dela. O amor me fez forte e totalmente consciente. É fácil te amar, e também é fácil se apaixonar por você. O amor me deu cuidado pra que isso não aconteça, e quando algo diferente ameaça chegar por aqui, o amor dispara um sinal de alerta, me fornece a calma que preciso para colocar tudo de volta ao lugar. Enquanto houver amor aqui dentro, eu sei que a paixão não vai me enlouquecer novamente. Sei que falando assim parece fácil, mas não é! É difícil não deixar a paixão chegar nos momentos em que você tem umas crises de homem maduro e protetor... ou quando em suas molecagens me faz rir. É difícil quando à noite, a paixão sussurra em meu ouvido que preciso ouvir sua voz, ou quando algo acontece e ela se aproxima pra dizer que preciso lhe falar... Ela fica à espreita sempre, aguardando um momento de vacilo... mas eu sei, não posso... e não permitirei. O amor, esse cultivarei com carinho em meu coração, e enquanto ele aqui morar, ficarei com sua serenidade. Com o tempo a gente descobre que razão e emoção não são contrapontos, a gente percebe que dá pra amar com razão, e que é possível ser racional ainda que se ame! E eu... eu te amo com todo o cuidado e a racionalidade que tenho aprendido a usar... Um amor que é passível de controle, e que portanto, só há de fazer bem...