- Tenho 33...
- Nossa! Não parece!
Mas eu quero! Eu quero que
pareça! Quero meu direito de ter 33, com todos os tombos que levei e tudo que
aprendi. Quero cada degrau que subi até aqui, cada ano vivido, todos os sonhos
alcançados e os que ainda estão por vir.
Quero, como hoje consigo, sair
pela rua de bermuda jeans, uma blusinha qualquer, cabelo preso sem nem ligar
pra onde vou, sem me importar com a opinião de ninguém. Quero acordar arrasada
depois de uma noite mal dormida e sair como um urso panda (olheiras enormes!)
para o trabalho porque não tenho a menor vontade de esconder a minha tristeza
numa falsa alegria. Ou ainda quero acordar depois dessa mesma noite e decidir
que não vou trabalhar, que vou ficar na cama o dia todo debaixo de um cobertor,
assistindo todas as bobeiras da TV aberta, porque agora, aos 33, depois de
muita luta, eu simplesmente posso me dar esse luxo!
Quero sentar num boteco de
esquina, sem glamour nenhum, e beber uma cerveja estupidamente gelada com as
amigas e rir até não aguentar mais, tomar café da tarde juntas, assistir um
filme no cinema numa tarde de domingo, parar o carro e admirar o entardecer
lindo de outono, porque a tranquilidade dos meus 33 me permite! Eu não preciso
ir pra balada quatro dias na semana, eu não enlouquecerei se ficar em casa,
curtindo um descanso merecido durante um fim de semana ou feriado.
Eu quero a capacidade de me
refazer, me reconstruir, que hoje eu tenho... notar que não me desespero mais
com cada plano que dá errado. Quero engordar porque passei uma fase comendo
todas as besteiras possíveis, e emagrecer porque, de repente, sei lá, nada me
desperta o desejo de comer... tudo parece tão sem graça.
Quero ouvir as maravilhosas
músicas antigas, de todos os ritmos, e não saber nenhuma das que estão nas
paradas de sucesso atualmente! Quero usar minhas camisetas de bandas de rock,
com meu All star preto e meu jeans velho, porque é assim que me sinto bem.
Quero deixar meus sapatos de salto guardados, mofando, porque eu simplesmente
os odeio! Muito pior que isso, quero (e faço sempre!) colocar aquele cd de mil
anos atrás, com as melhores músicas do “É o tcham” e dançar feito uma louca,
porque ainda sei TODAS as coreografias! E daí eu me sentir “a nova loira do
tcham” aos 33?!!! Mesmo que na terceira, talvez quarta música eu já esteja
morta, sem ar, com as pernas latejando, totalmente descabelada, mas feliz,
muito feliz! E... é bem isso... eu quero ser feliz com pouco, porque aos 33 eu
sei o que realmente é importante. Eu sei que é preciso algum conforto pra se
viver, mas também sei que em alguns momentos, o que pode nos salvar não é o
dinheiro, e sim o carinho de bons amigos, os braços de um doce amor, e algum
pouco de fé, seja ela direcionada para o que for.
Quero ter meus 33, tão
despreocupados, tão livres de “pré-conceitos”, de “pode ou não pode”, e o
conhecimento que tenho do meu corpo e de tudo que sou capaz de fazer com ele, e
que nem imaginava antes dos 30! Quero notar que o tom da minha voz é cada vez
mais baixo, porque meus argumentos estão fortalecidos, que meus passos não são
mais tão apressados porque aprendi a valorizar meu tempo, não correndo feito
louca, pra realizar mil tarefas, mas sabendo priorizar o que realmente vale a
pena, e sempre deixando um pouquinho de carinho por onde passar, oferecendo um
abraço a quem possa precisar, deixando um sorriso quando é o que tenho pra
oferecer.
Quero ter ao meu lado, quem
note tudo isso... e não queira que eu seja algo que não sou. Quero ter meus momentos
de “adolescente desvairada”, mas também de mulher... de mulher madura, calma,
às vezes cansada. Quero aos 33, oferecer meu colo e também ter um porto pra
ancorar nos dias de tempestade, porque hoje eu sei o quanto isso é valioso.
Enfim, quero ser quem sou...
com cada ano somado, com o passado que trouxe valiosas lições, mas já ficou pra
trás, com o presente de cada dia, vivido com toda a sabedoria, e com o futuro,
incerto, sem planos, mas que está lá, me esperando, e onde sei, chegarei ainda
melhor!




