domingo, 27 de abril de 2014

Pelo direito de ser balzaquiana!

- Tenho 33...
- Nossa! Não parece!
Mas eu quero! Eu quero que pareça! Quero meu direito de ter 33, com todos os tombos que levei e tudo que aprendi. Quero cada degrau que subi até aqui, cada ano vivido, todos os sonhos alcançados e os que ainda estão por vir.
Quero, como hoje consigo, sair pela rua de bermuda jeans, uma blusinha qualquer, cabelo preso sem nem ligar pra onde vou, sem me importar com a opinião de ninguém. Quero acordar arrasada depois de uma noite mal dormida e sair como um urso panda (olheiras enormes!) para o trabalho porque não tenho a menor vontade de esconder a minha tristeza numa falsa alegria. Ou ainda quero acordar depois dessa mesma noite e decidir que não vou trabalhar, que vou ficar na cama o dia todo debaixo de um cobertor, assistindo todas as bobeiras da TV aberta, porque agora, aos 33, depois de muita luta, eu simplesmente posso me dar esse luxo!
Quero sentar num boteco de esquina, sem glamour nenhum, e beber uma cerveja estupidamente gelada com as amigas e rir até não aguentar mais, tomar café da tarde juntas, assistir um filme no cinema numa tarde de domingo, parar o carro e admirar o entardecer lindo de outono, porque a tranquilidade dos meus 33 me permite! Eu não preciso ir pra balada quatro dias na semana, eu não enlouquecerei se ficar em casa, curtindo um descanso merecido durante um fim de semana ou feriado.
Eu quero a capacidade de me refazer, me reconstruir, que hoje eu tenho... notar que não me desespero mais com cada plano que dá errado. Quero engordar porque passei uma fase comendo todas as besteiras possíveis, e emagrecer porque, de repente, sei lá, nada me desperta o desejo de comer... tudo parece tão sem graça.
Quero ouvir as maravilhosas músicas antigas, de todos os ritmos, e não saber nenhuma das que estão nas paradas de sucesso atualmente! Quero usar minhas camisetas de bandas de rock, com meu All star preto e meu jeans velho, porque é assim que me sinto bem. Quero deixar meus sapatos de salto guardados, mofando, porque eu simplesmente os odeio! Muito pior que isso, quero (e faço sempre!) colocar aquele cd de mil anos atrás, com as melhores músicas do “É o tcham” e dançar feito uma louca, porque ainda sei TODAS as coreografias! E daí eu me sentir “a nova loira do tcham” aos 33?!!! Mesmo que na terceira, talvez quarta música eu já esteja morta, sem ar, com as pernas latejando, totalmente descabelada, mas feliz, muito feliz! E... é bem isso... eu quero ser feliz com pouco, porque aos 33 eu sei o que realmente é importante. Eu sei que é preciso algum conforto pra se viver, mas também sei que em alguns momentos, o que pode nos salvar não é o dinheiro, e sim o carinho de bons amigos, os braços de um doce amor, e algum pouco de fé, seja ela direcionada para o que for.
Quero ter meus 33, tão despreocupados, tão livres de “pré-conceitos”, de “pode ou não pode”, e o conhecimento que tenho do meu corpo e de tudo que sou capaz de fazer com ele, e que nem imaginava antes dos 30! Quero notar que o tom da minha voz é cada vez mais baixo, porque meus argumentos estão fortalecidos, que meus passos não são mais tão apressados porque aprendi a valorizar meu tempo, não correndo feito louca, pra realizar mil tarefas, mas sabendo priorizar o que realmente vale a pena, e sempre deixando um pouquinho de carinho por onde passar, oferecendo um abraço a quem possa precisar, deixando um sorriso quando é o que tenho pra oferecer.
Quero ter ao meu lado, quem note tudo isso... e não queira que eu seja algo que não sou. Quero ter meus momentos de “adolescente desvairada”, mas também de mulher... de mulher madura, calma, às vezes cansada. Quero aos 33, oferecer meu colo e também ter um porto pra ancorar nos dias de tempestade, porque hoje eu sei o quanto isso é valioso.

Enfim, quero ser quem sou... com cada ano somado, com o passado que trouxe valiosas lições, mas já ficou pra trás, com o presente de cada dia, vivido com toda a sabedoria, e com o futuro, incerto, sem planos, mas que está lá, me esperando, e onde sei, chegarei ainda melhor! 

domingo, 20 de abril de 2014

Renascer!!!

Páscoa... ressurgir, reconstruir, renascer. Quantas vezes na vida não passamos por momentos de renascimento?!!! E para que o novo nasça, é preciso que o velho morra, é preciso desapego e, nem sempre estamos preparados pra isso.
Às vezes olhamos o terreno ali, cheio de entulhos pra serem retirados e nos sentimos sem força pra fazer a “limpeza”. Outras o terreno está completamente vazio, o que não torna mais fácil a coragem para o início da construção. De repente chove, é preciso parar, e a gente nunca sabe a intensidade da chuva e quanto tempo irá durar. Sem ânimo, alguns constroem sem esmero e, um dia, tudo simplesmente desmorona! A base precisa ser sólida e isso leva tempo... necessita de muita paciência... e coragem extrema!
O primeiro passo é perceber que não dá pra ficar parado, não dá pra ficar esperando um milagre sem tomar algumas atitudes. É preciso se afastar do antigo e mergulhar de cabeça no novo, perceber as recaídas se aproximando e não permitir que elas mudem o curso da nossa reconstrução. Temos que aceitar os ciclos... inícios e finais, sem prolongar ou adiar o momento em que as duas pontas se encontram e o ciclo se fecha. É preciso cuidado pra não ficar preso ali dentro, perdendo toda uma vida que há do lado de fora.
Não há tarefa mais difícil e complexa que renascer, porque nunca é o que desejamos... mas sim o que precisamos, uma necessidade! Dói abandonar o “eu antigo” e tudo o que havia junto com ele, é triste perceber que é o único caminho, a gente sempre fica adiando o encontro com o novo, mas chega um momento em que não dá, é preciso aceitação, encarar a realidade, é preciso vencer!
Se você está aí, adiando o seu momento, hoje é o dia ideal! Se não há mais o que fazer, se um ciclo realmente se encerrou, aceite o ponto final, não coloque reticências pensando que de repente a história possa continuar, não passe longo tempo na vírgula, ela é apenas uma pausa rápida. Encerre, sinta a tristeza, não deixe de viver sua dor, mas não a prolongue por muito tempo! Comece outro parágrafo, vire a folha, troque o livro. Há tanto pra se viver... comece logo a sua reconstrução, busque o seu renascer com força, coragem, paciência, carinho...
Eu posso, você pode... a gente só precisa querer!


Esse não era o texto de hoje... é domingo e... no último domingo eu via um ciclo se fechar sem que fosse meu desejo... sentei no mesmo banco... olhei pro mundo e decidi vencer mais um dia... um de cada vez... com cuidado, atenção, carinho, fazendo o que sei fazer de melhor... plantando alguns sorrisos por aí!!! Bora renascer!!!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Adeus...

Eu sei, não deveria escrever isso, mas eu precisava, meio que uma questão de sobrevivência. Talvez desfaça esse nó na garganta e eu consiga engolir algo (o que também é questão de sobrevivência), talvez eu me arrependa e me sinta ainda mais idiota, e me culpe ainda mais. Me culpe por ter saído dos meus propósitos, por ter começado algo que,  provavelmente eu ainda não estava preparada para viver... o ser humano e essa mania idiota de sempre dar voz aos sentimentos, colocando o cérebro no mudo. E agora eu to aqui, pensando em como fazer para seguir, vendo tudo acontecer novamente, só que dessa vez ta doendo, e é uma dor estranha, que não passa um minuto, um choro que eu seguro porque sei que se começar não terá fim, e eu não posso parar agora.
Por mais que eu não queira me levantar da cama, que tenha me lançado nela ontem e saído hoje, depois de assistir os sete filmes que programei para o nosso fim de semana (eram oito, mas não tive coragem de assistir o do Steve Jobs), e que nem sei do que tratavam, pedindo a Deus para dormir e não acordar, é preciso seguir, só não sei pra onde.
O banho não aliviou a dor, e o almoço, mesmo fazendo um grande esforço, não passou pela garganta. Entrei no carro e algumas lágrimas saltaram. Me bateu um desespero, um medo de perder o controle. Sufoquei a dor, liguei o rádio, mas as músicas me incomodaram. Abri todos os vidros para sentir o vento numa vontade de simplesmente fechar os olhos, mas não fiz isso! Eu mantive o controle. Agora estou aqui na sala, os alunos em silêncio, o som dos trovões lá fora trazendo mais chuva. Como na semana passada, vou me preocupar com você, vou brigar com São Pedro que mandou a chuva justo na hora que você terá que sair de moto, todas as vezes vou pedir a Deus pra te proteger.
Como em todos os dias, vou acordar e, antes mesmo de abrir totalmente os olhos, vou olhar pro celular esperando sua mensagem de bom dia, mas ela não virá. Vou chegar no trabalho, abrir meu armário para organizar os materiais das aulas ainda aguardando sua ligação, mas o telefone não vai mais tocar a nossa música, aquela do Skank que é só sua. Vou me arrastar para a sala, vou engolir o choro. Eu sei que não vai adiantar, depois de três anos juntos, esses anjinhos me conhecem tão bem, e hoje, quando entrei na sala, notei seus olhares, até que veio a pergunta “tá doente professora?”. Eu suspirei, meus olhos se encheram de lágrimas, e fazendo um esforço danado, eu disse que era só a rinite de sempre. No intervalo, uma das minhas amigas me perguntou como eu estava, não por conta de nós, porque ela não sabe, mas dos problemas de saúde, eu disse que hoje não estava muito bem e ela me abraçou... eu não aguentei e chorei, e de novo deu medo de não conseguir parar. Ninguém sabia o que dizer, eu vi o olhar assustado de cada amigo, tão acostumados a verem meu sorriso, minhas brincadeiras, e em tantos anos nunca uma lágrima, e então eu respirei... respirei e respirei... não quero assustá-los.
Mais tarde vou para o inglês, e mais uma vez o telefone estará mudo. E aí, eu precisarei voltar pra casa. Não terei vontade de ir rápido pra tomar banho e te esperar, você não irá. Eu não ficarei sabendo como foi seu dia, se terá prova, trabalho, se precisa estudar, se melhorou ainda mais aquele programa, se já está criando outro. A sua voz ficará ecoando como uma lembrança e só! Eu esperarei seu boa noite, farei todas as orações que conheço pra tentar dormir, terei sede, calor, frio, falta de ar, palpitação, vontade de chorar, raiva, terei saudade... Me culparei por ter começado, depois por ter tido um momento de fraqueza que me deixou carente e vulnerável, sentirei raiva de mim por ter insistido pra que você ficasse da forma como fiz, mas é que me bateu um medo de me arrepender depois, por não ter lutado pelo meu amor, eu engoli meu orgulho, e fiz aquilo tudo, que nunca imaginei ser capaz de fazer por ninguém.
E então, como agora, eu pensarei nas quermesses que iríamos, aquelas que você disse na semana passada, nos filmes no cinema, na pracinha, no carro que a gente ia lavar nos domingos, brincando com a água, no cachorro que a gente não teve, na sua bancada de trabalho, no sexo de manhã, à tarde e à noite. Pensarei que não sentirei seu corpo, seu calor, seus beijos, e nem você sussurrando “gostosa” no meu ouvido. Não verei você dançando It’s my life do Bom Jovi e nem cantando pra mim. Não enroscarei meus dedos em seus cabelos, nem beijarei o “pé” do seu ouvido. A gente não fará amor na sua moto e eu não terei mais você dentro de mim. Minha vida ficará vazia, meu corpo ficará vazio. Irá doer ainda mais a cada vez que eu pensar que outra pessoa tem tudo isso.
Eu lerei os textos que te escrevi, as mensagens no celular, no chat, verei nossas fotos. Pegarei o porta retratos que fiz com tanto amor e que você não teve tempo de ver, o chocolate em formato de coração para a Páscoa, que ficará aqui até que eu tenha coragem de fazer algo, assim como o seu caderno.

Os dias serão longos, as noites mais ainda, e os domingos insuportáveis, sem filmes, pipoca, sem você! Eu terei vontade de te ligar, escrever, ficarei parada naquele posto de gasolina como fiz hoje de manhã, olhando para o lugar onde sua moto estava no primeiro dia e imaginando você chegando e acabando com tudo isso, o que não aconteceu hoje e eu sei, não vai acontecer em nenhum outro dia. Enfim, eu terei que conviver com tudo isso, guardar meu amor que é grande demais pra caber em qualquer lugar aqui dentro de mim. Eu lerei tudo isso e me sentirei uma idiota, prometerei a mim mesma mudar, te arrancar na marra do meu coração. Talvez, depois dessa ressaca, eu vá reatar os antigos casos “ilegais” da minha pós separação e aí, será ainda pior, porque eu me lembrarei sempre de nós dois, de como tudo era prefeito, eu não terei prazer, buscarei incessantemente por isso, e viverei frustrada. Mas aí, acontece que eu não sou mais uma adolescente que pode passar a tarde pós escola deitada no sofá curtindo uma deprê. É hora de sonhar novos sonhos e retomar os antigos, mesmo que eu não tenha a mínima vontade. Mais uma vez... eu preciso dar conta, eu preciso ser forte... eu preciso! Mas acontece que eu te amo... e amo tanto!!!
Eu não acredito que você vá ler isso, espero que não... mas se acontecer, esqueça... 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pedaços de mim pra você...

Eu me lembro como se fosse ontem... eu adorava lhe escrever. Aliás eu sempre gostei de escrever mesmo que pra ninguém ler. Passava tardes “brincando de poesia” e até ganhei alguns concursos com isso. E daí, eu usava minha facilidade com as palavras pra demonstrar cada sentimento que morava em mim por conta de você. Passava horas na livraria escolhendo o cartão perfeito e depois colocava nele um pouco de mim em cada letra que ali se desenhava. Apesar de toda a tecnologia, sinto que cada palavra que escrevemos ali, no papel, com a tinta e o movimento de nossas mãos, leva um pouquinho de nós, e nada é mais gostoso do que numa tarde de domingo, daquelas tediosas, ou numa noite de insônia, pegar aquela caixinha de cartas e cartões, ler e recordar, porque mesmo que aquelas histórias tenham chagado ao fim, cada pedacinho de papel só carrega as boas lembranças. Pena que você tenha perdido meus pedaços, tão mal cuidados, jogados em um canto, perdidos entre as mudanças...
Eu ainda tenho seus poucos pedaços aqui, junto com outros de outras pessoas, guardados todos com carinho, numa caixa espaçosa...
O que eu sei é que até com isso você conseguiu acabar... minhas palavras vistas com tanta indiferença, o cartão deixado em qualquer lugar pra se “ler mais tarde, quando sobrasse tempo”, e eu na expectativa de ouvir você me dizendo que leu, que gostou tanto, que também sentia aquilo... Como doía ouvir isso... meus pedaços entregues com tanto amor, esperando o “tempo que sobrasse”, talvez no dia seguinte, na outra semana, talvez nunca vistos, o cartão nem mesmo aberto, carregando toda a energia daquelas palavras pra sempre! Com o tempo seus poucos pedaços deixaram de existir, e os meus tantos, foram ficando primeiramente escassos e depois, não chegaram mais até você. Eu escrevia... por um bom tempo ainda, eu lhe escrevi, mas minhas palavras ficaram restritas aos meus cadernos, folhas perdidas entre as coisas de escola. E aí, acabou... acabou a vontade... eu não tinha mais nada de mim pra lhe dar, eu ficara com tão pouco!

Demorou tanto pra eu me reencontrar com a delícia de se brincar com as palavras, foi quase no fim, quando eu já tinha perdido a minha identidade, numa tarde à toa, sentada com o notebook, ali no sofá da sala. Uma história se desenrolando na minha mente e então... caderno, lápis... e eu escrevi! Foi engraçado porque eu nunca havia me aventurado com contos ou crônicas, ficando só com os poemas e as cartas (idiotas e não retribuídas) de amor, e de repente lá estava um conto! Os amigos leram e gostaram... eu estava viva novamente, eu estava me reencontrando ou me reconstruindo, e agora ainda mais forte e muito melhor! Eu entendi que “sou das letras”, que escrever pra mim é como respirar e que ninguém, nunca mais me tiraria esse prazer. Nesse mundo cheio de pressa, emails rápidos, chats por todas as redes sociais, às vezes nem reconhecemos nossa própria letra! Cresci num mundo em que nossa “caligrafia” era reconhecida pelos amigos... Claro, a tecnologia facilita e muito nosso dia a dia, mas mesmo que eu jamais vá receber um pedacinho do outro, eu sempre vou querer deixar um pedacinho meu para quem realmente é importante pra mim... fique ele jogado em um canto, esperando “sobrar um tempo” ou não...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Desejo

Me pegue nos braços como se eu fosse a única...a última. Olhe em meus olhos com os seus faiscando de desejo e pedindo para o seu corpo ser saciado. Beije a minha boca com fome... fome de mim... fome de amar. Me deixe sentir o calor das suas mãos passeando por mim, sentindo cada parte do meu corpo e mostrando que você ainda me quer. Pressione o seu corpo contra o meu e me permita sentir seu desejo ainda vivo. Brinque com a minha vontade antes de acabar com ela. Prove que eu ainda sou capaz de despertar em você aquele garoto por quem eu me apaixonei. Não me deixe com o vazio! Eu preciso que você me queira com a mesma vontade de antes porque, de repente... deu um medo! Seu desejo não estava ali... e eu me perguntei o porquê com o coração já cheio de insegurança. Eu me olhei no espelho pra procurar o que faltava... busquei em todos os lugares, então... por favor, me diz o que é! Me deseje novamente... eu preciso tanto!