domingo, 31 de dezembro de 2017

Que seja leve!

       

Quero ser um troféu! Me sentir exibida em prateleira que muitos veem mas pertence a apenas um, que esses muitos desejam mas somente um pode ter. Quero estar entre muitas mulheres maravilhosas e receber um olhar cheio de vontade apenas de mim. Não quero ter ciúmes provocados, mas que essa fusão entre nós dois cause ciúmes a todos que ainda não alcançaram algo assim. Quero ao meu redor braços fortes para que me defendam não porque sou frágil, longe disso, mas porque sou segura e bem resolvida e tenho ao meu lado um homem seguro e bem resolvido o suficiente para se impor quando for preciso e deixar claro para o mundo que "ali não"!
Que sejamos, enquanto juntos, como namorados recentes, de olhos brilhando, suspiros soltos, beijos demorados, abraços apertados. Que aquela rotina ruim não chegue! Já temos tantas obrigações no dia a dia, então que o relacionamento não se torne mais uma delas, com hora certa pra tudo e com tudo sempre igual. Que haja tempo pra se caminhar de mãos dadas, observar um ou outro pôr do sol entre beijos, sorrisos e boas histórias pra se contar. Que haja dias de balada e dias de sossego. Dias com os amigos e dias de cumplicidade a dois. Que existam convites especiais, e que um não espere a atitude do outro sempre. Que estando juntos, nenhum seja sozinho, pois a solidão é importante, mas não pra se viver na presença de alguém. Que cada um tenha seus momentos, mas que os momentos de vida lado a lado sejam realmente de companheirismo.
Que ninguém precise carregar o relacionamento sozinho. É pesado demais, doído demais, triste demais, exaustivo demais! Que as coisas do dia a dia sejam realizadas em união, sem tarefas divididas, sem deixar para o outro sempre as mesmas obrigações. Que o homem não seja o provedor e a mulher a dona de casa! Que os gastos sejam divididos e as tarefas de um lar da mesma forma.
Que haja sensibilidade para perceber os dias difíceis pelos quais o outro passa. Que um seja forte quando o outro precisar fraquejar. Que ninguém assuma a figura de “pai ou mãe”, mas que ambos sejam cúmplices e amigos. Que cada um saiba que existe uma mão pra segurar quando for preciso e que não se depare com vazios nos momentos em que mais precisar.
Que exista diálogo e ninguém precise dormir com o coração cheio de tristeza, afinal nunca se sabe se vamos acordar no dia seguinte.
Que, se um dia, não for mais possível sorrir, ter os olhos brilhando, cuidar e ser cuidado, conversar como amigos, amar e ser amado, que tenhamos força para não nos demorarmos onde não há mais espaço para nós. Que quando os dias se tornarem todos iguais, sejamos capazes de buscar novas paisagens. Que quando nosso coração bater cheio de tristeza, consigamos substituí-la por novas alegrias antes que ele se torne machucado demais para bater feliz novamente.
Que tenhamos a capacidade de fazer valer a pena todos os dias recebidos nessa jornada que chamamos de vida!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Procura-se imperfeitos...

Eu não sou um amontoado de folhas em branco prontas para uma história que vai começar. Também não sou o início do livro, com apenas os primeiros capítulos. Sou daqueles que assustam leitores iniciantes pela quantidade de páginas, mas que fascina os compulsivos que adoram “encher as mãos e os olhos” com quantidade mesmo sem saber ainda da qualidade.
Eu tenho minhas marcas, as que estão por fora e também revelam um pouco de mim, as que estão por dentro e não são tão belas quanto as primeiras, mas que mostram muito de mim. Para alguns isso é defeito grave, para outros é maturidade essencial. Eu já tentei apagá-las por completo e isso fez com que doessem ainda mais, então aceitei que era preciso tempo para a cicatrização e mais que isso, aceitação de que elas são o que sou, o que me tornei e o que ainda estou por ser.
Minhas dores me fizeram compreender o mundo e o próximo de forma mais carinhosa e ter o cuidado de sempre, muitas vezes exagerado, daqueles com quem convivo. Amor é cuidado... cuidado demonstra verdadeiro amor. Sempre guardei meus problemas para depois a fim de auxiliar com os problemas de outros, muitas vezes abandonei sonhos para ajudar a construir outros e isso me custou muitas decepções e talvez alguns arrependimentos, cuidei de dores alheias e fingi que as minhas nem existiam e hoje tenho total consciência de que não devo me abandonar em favor de ninguém, mas também sei que nada é tão difícil pra mim quanto isso. Eu queria tanto ser daquelas pessoas alheias a tudo, que passam pela vida sem olhar para os lados, que, se amam, não demonstram, daquelas pra quem “tanto faz, tanto fez”. Meu coração tantas vezes é um fardo pesado demais para carregar e eu doaria esse amontoado de sentimentos para o homem de lata realizar seu sonho sem nem pensar. Vai me dizer que é triste viver assim? Eu sinceramente não sei... Mas sei que não é nada fácil administrar tudo o tempo todo... não é fácil cuidar de tanta coisa... cuidar de tantos... É exaustivo quando a gente transborda amor e deseja que transbordem com a gente.
Amanheci mais uma vez me sentindo tão sozinha no mundo, querendo que alguém pegasse no colo essa dorzinha chata que vai aqui dentro, embalando como se faz com os bebês. Aquela sensação de que está tudo errado outra vez não quer passar.
Hoje saí pro mundo querendo encontrar almas gêmeas à minha, não para que se completem, mas para que eu enxergue no outro um pouco do que sou. Queria sentar num parque, sob esse sol gostoso de outono com alguém que também tenha histórias para contar, e que goste de contá-las... eu sempre gostei de ouvir! Queria me espantar com experiências parecidas e também com outras diferentes das minhas, mas não menos difíceis. Queria contar um pouco desse amontoado de coisas que não quer ficar quieto aqui dentro e ouvir que “tá tudo bem assim” que os momentos difíceis nos fazem melhores e que existem no mundo pessoas capazes de lidar com isso, de cuidar para que nossas cicatrizes não doam como já doeram quando feridas abertas.

Hoje eu daria meu coração e meu lugar para o home de lata... e iria para a terra de Oz em busca de um pouco de paz e descanso... a vida às vezes é demais para o que damos conta!