domingo, 18 de maio de 2014

"Assim caminha a humanidade..."

De repente, um misto de raiva e rebeldia me invadiu. Momento ideal pra soltar umas verdades, que podem ser absolutas somente pra mim e mais ninguém.
Cá estamos nós em uma sociedade que nem moderna é mais, e sim “pós-moderna”. Já estamos além, enquanto que, na real, tudo vai no mesmo. Bem, analisando do lado feminino, vejo algumas mudanças! E ainda não sei precisar o quanto são realmente boas.
Hoje podemos vestir calças (Ufa! Odeio saias!), podemos mostrar o corpo sem que seja um espanto (será?), temos direito ao voto, podemos ler, dançar, fazer nossos “rituais” sem sermos queimadas na fogueira. Invadimos o mercado de trabalho, sem contudo deixar de realizar algumas tarefas que nossas mães e avós faziam. Nos tornamos multitarefas e “multiatarefadas”. Abandonamos a ignorância e passamos a estudar cada vez mais. Com a mente aberta, vencemos certos paradigmas e passamos a aceitar essa tal modernidade. Mas... algumas situações me fazem pensar quanto o mundo está realmente preparado para a “mulher moderna”, e em especial os homens. Sim, esses carinhas que vivem por aí reclamando que as mulheres só querem saber de compromisso, casamento, filhos. Que nós não somos capazes de dar tempo ao relacionamento, curtir o momento, deixar rolar. Será que esses mesmos reclamões estão prontos para ouvir uma mulher dizer que não quer nada sério, “é uma noite e nada mais”? Bom, afirmo com conhecimento de causa e, sem nenhum medo de errar que a maioria não! E quando eu digo a maioria, não é algo como um pouco mais que 50%, é exatamente um pouco menos que 100%.
Nós somos vistas como as ciumentas e possessivas, mas a realidade não é bem essa. Poucos homens estão preparados para não exercer a posse sobre uma mulher, ou sobre várias! E vemos isso por toda parte. Nas novelas que invadem tantas casas pelo país afora, quantos casos temos de personagens masculinos que possuem duas famílias, sem que uma saiba da outra e quanto disso existe quando trocamos para uma mulher? Alguém se lembra de alguma novela em que uma mulher mantinha duas famílias dessa mesma forma? Minha memória pode me trair, porque eu sinceramente não me lembro!
Estamos cercados por filmes e livros eróticos e, em quantos deles as cenas quentes envolvem mais de um homem dando prazer a uma única mulher? Poucos, infelizmente! E se formos para fora da ficção então, encontrar um cara que tope dividir sua mulher com outro, mesmo que ela não seja sua, e mesmo que apenas sexualmente, é algo raro! Mas lógico que esses mesmos homens ficam enlouquecidos ao se imaginarem com duas ou mais gostosonas prontas para lhes dar prazer. Bem, estamos em desvantagem!
E a coisa vai só piorando, ao ponto de se chegar naquele cara que se deita nu na cama, olha pra mulher ali na sua frente e lança sensualmente: “faz comigo o que quiser”. Por favor, queridos! Isso acaba com qualquer libido, principalmente numa primeira transa. Sem dúvida essa  mesma mulher irá adorar bancar a dominadora, numa bela roupa preta, botas de salto, um chicote nas mãos... pronta pra te algemar e proporcionar momentos incríveis, mas... de primeira ela quer ver o seu poder, sua pegada! Então, seja um leão faminto devorando sua presa!
E ainda tem a história do “ligar no dia seguinte”, ou antes mesmo de existir “um dia”. A gente às vezes se contorce de vontade ligar para aquele tal, ou mandar uma mensagem básica de “Oi! Td bem?” Lutamos e vencemos! À custa de unhas e dedos roídos, mas resistimos. Eles não! A maioria não possui controle algum. Você encerra um dia de trabalho e quase cai dura ao pegar o celular na bolsa e se deparar com 12 chamadas perdidas, 18 mensagens de texto e 3 de voz! Alguém morreu! Mas não, ele só queria dizer “oi”.
“Uma noite e nada mais” é conversa pra boi dormir. Se foi bom (pra ele!!!) ele vai querer repetir a dose, é claro! E vai insistir! Se você não puder essa semana, quem sabe na outra? No mês que vem? Nas férias? Que tal viajar no reveillon?
Uma mulher bonita e bem resolvida sozinha, sem dúvida deve ser “a chata”. Um homem gato, e solteiro, com certeza é “o cara” e está pegando todas!

Enfim, nós mulheres estamos prontas pra esse “pós-modernismo”! Nos reciclamos, colocamos um pouco de lado o sentimentalismo, abandonamos a ideia de uma vida como nos contos de fadas e encaramos a realidade de frente! Passamos por cima de todos os tabus. Também saímos pra caça, também queremos “só sexo”, não vamos esperar uma ligação no dia seguinte, aliás se ambos nem mesmo se lembrarem do nome um do outro e notarem que nem trocaram telefone, melhor ainda! Precisamos de diversão às vezes, sem envolvimento, só prazer, puro e selvagem! Sim... também temos instintos, desejos, fantasias. Não é sempre que o coração manda no cérebro e no corpo feminino! Demos passos rápidos demais! E agora, o que nos resta é sentar e esperar. Aguardar os que vem lá atrás, já que “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”. Alguma bebida pra esperar???

A vida lá fora...

Hoje é domingo... e eu odeio os domingos. Hoje é domingo e eu terminei agorinha de ler mais um livro daqueles que me fazem odiar ainda mais dias como hoje... domingos, frios, cinzentos, vazios e ao mesmo tempo tão cheios de você.
Estou aqui na cama, o livro fechado, alguns filmes do lado, uma poesia idiota escrita no caderno... uma que rabisquei agora e que diz sobre essa tentativa incessante de arrancar você de mim. Ainda não abri as janelas, não quero ver o dia... ainda não sai do quarto, não quero ver a vida...
O celular vibra sobre a mesa, eu já nem olho mais, sei que não é você e já estou cansada de inventar desculpas pra todas as pessoas que, de repente, acham que estou à procura de alguém. Talvez seja Deus testando o poder desse meu amor, ou talvez ele esteja tentando me ajudar e... coitado... não estou colaborando!
- Pego um avião pra te ver...
- Tô saindo daqui, chego aí em três horas...
- Te pego em casa...
- Puxa... só uma bebida...
Não... eu simplesmente não consigo! Não sei mais o que fazer! Eu não me reconheço, não me controlo! A vontade de estar com você toma conta de tudo. Dói... e não é uma dorzinha que passa. Ela me devora todos os dias, todas as noites...
Nada faz sentido e eu enlouqueço mais a cada minuto. Já tentei todas as estratégias pra fazer esse amor dormir dentro de mim... mas ele permanece desperto, se fazendo presente, gritando pra mim que não vai embora. Eu tenho que lutar pra não fazer uma besteira e te impor um pouco da minha presença... Meu anjo tem trabalhado tanto... com certeza tentou mudar meu rumo, quando notou que eu dirigia até sua casa. Sem dúvida gritou em meus ouvidos que eu não deveria fazer aquilo... Mas lá estava eu com uma caixa de livros de todas as disciplinas pedidas no vestibular e mais o meu note velho... bem no portão da tua casa... Bom, ele venceu... eu não segui em frente, mas os livros ainda estão no carro, aquele monte de balas também estão, e as milhares de lembranças... mais fortes do que nunca!
Tentei sentir raiva, criei mentiras... não adiantou. Por mais que eu tenha entendido que tem que ser assim... aceitar e conviver com isso é tão difícil. Eu sei que... ela é exatamente perfeita pra você... e mesmo que uma pontada de ciúmes chegue ao meu coração, eu não consigo pedir nada além de que você seja sempre feliz. Eu não desejaria jamais que você sentisse um pedacinho se quer dessa dor que eu tenho sentido, da vontade que surge todos os dias de dizer que eu te amo, de como minhas mãos anseiam em te tocar de novo, como meu corpo frio necessita do seu abraço, meus lábios do seu beijo, meus ouvidos de sua voz. A cada dia eu preciso mais de você... a cada dia eu digo ao meu desejo que “é impossível”.

E assim, o domingo vai passando... as janelas fechadas, a vida lá fora. Meus olhos se fecham também... a vida... lá fora...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pra sempre... amor...

Hoje faz um mês... um exato mês que meus lábios estão congelados sem encontrarem mais os seus, que o meu corpo está vazio e frio, sentindo a falta de contato com o seu calor. Faz um mês que meus ouvidos ansiosos não ouvem o som da sua voz, e que meus olhos não brilham, transbordando de alegria e paixão ao acompanhar sua chegada.
Cada dia que passou daquele domingo 13 (numerologia???), foi uma batalha contra a tristeza. Não houve um só dia me que você não estivesse em meus pensamentos. Não houve uma noite em que você deixou de ser o primeiro em minhas orações, e nem uma só manhã que eu não lhe desejasse um ótimo dia.
Não sei precisar se um mês é pouco ou tanto... Foi pouco pra amenizar a dor, foi nada pra transformar o amor em apenas uma boa lembrança, e ainda não foi o suficiente pra esgotar as lágrimas que caíram em cada um desses dias. Foi tanto pra passar sem você, pra acordar a cada novo dia sabendo da sua ausência. Foi muito pra te saber tão perto e tão longe, pra conviver com esse silêncio, pra olhar para o meu vazio. Foi uma eternidade pra controlar meu impulso todos os dias, ao me deparar com coisas que poderiam te interessar e sentir uma necessidade pulsante e incômoda de lhe falar. Foi muito tempo pra ouvir inúmeras músicas que me traziam momentos nossos e não me desesperar. Aliás, me pareceu muito, muito tempo de luta extenuante para me manter no controle.

Essa noite eu sonhei com você... um presente pra esse um mês... não que isso não houvesse ocorrido antes, você já esteve em outros sonhos, mas essa noite foi tão especial, foi tão real. Você estava comigo... éramos nós de novo... eu provei seu beijo... seu abraço... eu pude sentir sua pele, seu calor, seu corpo, seu coração batendo. Seu sorriso estava ali tão perto... sua voz de novo ecoando por meus ouvidos. Infelizmente eu acordei, mas ainda podia te sentir, minhas mãos ainda pareciam estar te tocando, minha boca ainda guardava um beijo recente, meu corpo tinha ainda um pouco do seu calor. Não deu tempo de te falar, a saudade que no sonho era tanta quanto a real não deixou espaço para palavras... e quando eu abri os olhos e me vi de frente com a realidade de mais um dia, eu sussurrei o que nossos beijos me impediram de dizer... fechei meus olhos já banhados pelas recorrentes lágrimas e abri meu coração... eu te amo... te amo tanto e sei... no próximo 13 esse amor ainda estará aqui...

domingo, 11 de maio de 2014

Chronos impostor!

Direcionamento, essa é a palavra! Sem dúvida nenhuma, os grandes nomes das mais variadas áreas, souberam direcionar seus sentimentos, dúvidas, angústias, frustrações, medos, para algo realmente produtivo. Essa história de deixar o tempo passar, que ele tudo cura e apaga, é ilusão! O tempo não cura algumas feridas, não apaga alguns amores, algumas perdas, dores... ele pode até amenizar, mas acabar com tudo... nunca! Essa ideia provavelmente foi criada pelo deus Chronos, querendo se tornar mais importante e invocado do que os demais. Ele nos persuadiu com esse falso poder e aí, passamos uma vida inteira esperando o “tempo apagar”, e quando nos damos conta, a vida acabou e o tempo não apagou.
Mas e aí, fazer o que? Existem algumas opções. A primeira e já dita, é ficar esperando que alguma mágica aconteça e de repente nossas angústias, dores, dúvidas, não existam mais. A gente coloca a vida no pause e se fecha pra tudo que ela possa nos oferecer, esperando o senhor deus do tempo então fazer o seu trabalho. Em segundo, há a possibilidade de fingir que todas essas “coisinhas” não existem. É como aquele dedo quebrado que lateja quando faz frio, mas que você nem liga porque daí a um tempo passa. Mas... o frio volta, a dor volta, e constantemente você convive com aquele incômodo, o ignorando. Isso é o que a maioria de nós faz. A gente sai de casa com o coração partido, nada faz sentido... mas então colocamos um falso sorriso no rosto, criamos uma personagem que não existe, não é real, e sai pra vida! Para o resto do mundo você é alegre, feliz, diverte a todos, não sofre, não liga pra nada, é a “doidinha”, o “cara”, um/a adolescente que nunca vai crescer, mas lá dentro, pra você, no seu “eu”, você se sente com 80 anos mal vividos, fatigado e sem forças pra encarar seus problemas e fazer algo por eles e por você mesmo! Bom... e aí, a última e mais difícil opção é exatamente isso! É olhar com carinho e muita atenção para dentro de si mesmo, analisar a fundo cada dor, cada incômodo... entendê-los e aceitá-los. Não adianta negar a existência dos mesmos, não adianta se culpar por eles estarem aí dentro. É preciso silenciar e ouvir o que cada “dorzinha” tem pra dizer. É importante questionar-se, saber o motivo de cada angústia que mora dentro de nós. Isso leva tempo, dá trabalho... às vezes é preciso ir muito longe para entender o motivo de alguns dos nossos comportamentos. Vivemos no presente, mas somos constituídos por nosso passado, e é lá que está o motivo de cada dor, cada tristeza, cada atitude. Está tudo muito bem guardado em nosso inconsciente, que mais parece aquele porão sombrio que temos medo de visitar, cheio de fantasmas, mas que é exatamente o lugar onde mora a nossa essência, nossas lembranças boas ou ruins. Nós somos o que já vivemos! É preciso coragem para descer as escadas, acender a luz e enxergar minuciosamente a trajetória já percorrida. Nossa infância guarda segredos incríveis, os mais importantes e que mais influenciam nossa conduta na vida adulta. Temos que estudar a nós mesmos, de coração e mente abertos para o que possa surgir. E com certeza, surgirão muitas coisas, muito do que você nem imagina que é você mesmo, que constitui o seu “eu” atual.

Mas... o que fazer com essas descobertas? Não tenho dúvidas de que esse é o ponto mais difícil. De posse de tudo o que nos causa tristeza, angústia, insegurança e algumas atitudes equivocadas, inicia-se uma batalha de titãs! De um lado o “eu consciente” agora conhecedor dos traumas todos, e de outro esses mesmos traumas insistindo em ainda comandar cada situação. É preciso uma dose gigantesca de lucidez, pra perceber quando somos manipulados pelas vivências negativas do passado. E é aí que entra o direcionamento. Ou a gente pira de vez com tudo que descobre sobre si mesmo, ou reúne esses sentimentos e os direciona para algo. Temos claros exemplos disso circulando pela mídia. Pessoas que, por exemplo, passaram por graves problemas de saúde e transformaram o trauma em ajuda ao próximo, criando ONGs, ou buscando nelas desenvolver o voluntariado. Imagino o mesmo com os poetas, compositores, escritores... quando lemos suas obras, nos emocionamos e ficamos nos questionando sobre tamanha inspiração. Provavelmente eles conseguiram direcionar seus sentimentos para essas produções... amores possíveis e impossíveis, saudade, medos, perdas... Cabe a cada um, descobrir o que pode fazer de bom com os resquícios negativos das experiências já vividas. O que não dá é pra simplesmente ficar parado, sem fazer nada, permitindo que os fantasmas do porão continuem a nos assombrar, que nosso “eu” fique dentro das caixas, lacrado, guardado no escuro para que a gente possa fingir que ele não existe. É preciso que sejamos capazes de nos enxergar, para então abrir os olhos para o mundo... e para a vida!

terça-feira, 6 de maio de 2014

"Eu quero a sorte de um amor tranquilo..."

Eu sei, você também quer! Depois que passamos por toda a turbulência das paixões adolescentes e relacionamentos problemáticos que deixaram profundas cicatrizes, a gente precisa dessa calmaria. Um amor simples, suave como a brisa de outono, leve como a bailarina flutuando ao som de suave música, aconchegante como aquele moletom velho.
Temos a mania de acreditar que a intensidade é uma virtude, o tal “carpe diem” levado ao extremo, mas nada que é exagero faz bem, inclusive o amor. A gente mergulha de cabeça, sem saber se o que temos à frente é um rio raso, cheio de pedras, ou um mar revolto. Estamos cegos para o real, e vemos uma bela lagoa, profundidade ideal, ondas suaves quando sopra o vento. E aí é “se jogar” e “se ferrar”!
O amor precisa ser racional e, mais pensar do que sentir é tarefa difícil. Somos muito mais emoção do que razão, a sociedade nos empurra pra isso, prega que devemos sentir, ouvir o coração, porque se pensamos demais somos pessoas frias, egoístas, insensíveis. Mas quando a gente dá o tal mergulho e quebra a cara, não tem ninguém para nos salvar e às vezes ainda somos obrigados a ouvir “você deveria ter ido com calma, se envolver tanto em tão pouco tempo... isso é loucura!” Raiva, culpa, decepção e mais uma porrada de sentimentos negativos nos invadem.
Um dia a gente cansa, e aí abre os olhos! Vê com um certo espanto no que já se meteu, a gente ri de algumas coisas, chora por outras. E então sabe que, a partir daquele momento, é preciso ser diferente, um novo salto errado pode ser fatal. A gente cansa de aventuras emocionais, da bipolaridade de alguns relacionamentos, da falta de cumplicidade. A gente cansa dos exageros, do vazio, de se entregar, de cuidar do outro sem que haja reciprocidade. E então a gente começa a sonhar e esperar por algo apaziguador... a tal “sorte de um amor tranquilo”. A gente quer alguém pra conversar... falar sobre banalidades, sobre músicas, filmes, livros, um programa de TV, uma notícia que está na mídia, mas também alguém com conteúdo pra um papo mais “cabeça”, que tenha argumentos, que nos faça pensar. Mais que isso, a gente quer alguém que saiba o significado de “conversar”, que não transforme isso em um monólogo. A gente também quer alguém capaz de suportar o silêncio, de conviver bem com ele, de valorizar o som tranquilo do nada. O ruído intenso do mundo muitas vezes nos cansa, o silêncio é essencial, e é triste quando alguém precisa de sons incessantes porque não é capaz de conviver com seu próprio silêncio.
A gente quer e precisa de um porto seguro, porque já passou por muitas tempestades, já navegou à deriva... não que as tempestades não mais ocorrerão, mas quando se aproximarem é reconfortante ter pra onde “correr”... um par de braços que não precisam ser fortes, mas sim capazes de nos enlaçar, nos aquecer, oferecer conforto, calma, paz. É bom ter um ombro pra se recostar, é bom oferecer seu ombro também quando o outro precisar.

Enfim, a gente chega em um ponto em que precisa de cuidado, porque a gente sabe que merece! Queremos oferecer carinho, mas também receber. Você quer ir pra cozinha fazer uma lasanha deliciosa, enquanto seu companheiro te ajuda pegando ingredientes aqui e ali, ou simplesmente sentado ali próximo, conversando sobre o dia de ambos... quem sabe ele pegue o violão e fique brincando, os dedos bailando sobre as cordas (fui longe?!!!). Agora, falando por mim, sempre sonhei com essa cumplicidade, sei que é resquício do relacionamento antigo, em que isso não existia, e é algo que se tornou meio que conto de fadas, difícil demais pra realmente acontecer. Mas será? Será que na minha cozinha essa cena não vai mesmo acontecer? O banho nos cães, a guerra de travesseiros, a brincadeira na rua com a água, enquanto lavamos o carro, o vinho com pizza, a cerveja com bobeirinhas no domingo, sentar sob o sol de outono e curtir a brisa da tarde sussurrando alguma canção. Sorrisos à toa, olhares à toa. Parece tão simples e ao mesmo tempo meio inalcançável. Será que isso existe??? Contou-me uma amiga, durante uma conversa sobre relacionamentos, que certa vez, enquanto ela dormia à tarde, o companheiro com passos leves, foi até o quarto pra fechar a porta, evitando que os cãezinhos fizessem barulho e ela pudesse despertar. Eu pensei na simplicidade daquele gesto, e no grande carinho ali presente. O fato me tocou, me fez refletir, me fez descobrir que eu quero muito alguém que feche a porta... com passos leves... sussurros... carinho... cuidado... eu quero essa sorte, “a sorte de um amor tranquilo”!!!