sábado, 21 de março de 2015

Mais uma carta de amor

Oi querido! Espero que esteja tudo bem por aí. Eu estou tentando, mas é tão difícil! Ainda que o trabalho tenha me consumido, a sua imagem sempre surge, as lembranças não me abandonam e eu me sinto despencando interminavelmente de um abismo. São 14 horas de uma terça qualquer. Enquanto os alunos realizam uma avaliação, estou aqui lhe escrevendo. Terminei nesse instante a leitura de um belíssimo livro. Com um nó na garganta e disfarçando as lágrimas durante cada linha, fui refletindo sobre a história que tanto mexeu comigo. O livro “O diário de Suzana para Nicolas” apresenta em cada página o amor... o amor sublime, real, de entrega, troca, e como a vida às vezes nos surpreende. Fala sobre demonstrar sentimentos, valorizar o que realmente é importante, antes que seja tarde. Senti tanta vontade de falar com você... Abri a tela do app de mensagens, sua foto ali em cima, a mesma que eu beijo delicadamente todas as noites. Eu só queria dizer tudo isso que sinto, porque não sei até quando vou aguentar carregar tanta coisa. Não esperaria por sua resposta, já me acostumei com seu silêncio, mas como relatou o livro, nunca se sabe do dia de amanhã. Talvez por algum acaso do destino essa carta cruze seu caminho, talvez você nunca a leia, mas ela guardará o pouco que eu conseguir expressar através das palavras, porque tenho certeza de que será uma pequena parte de tudo o que eu sinto.
Eu já disse isso, mas gostaria de repetir... Você é o homem mais especial que conheci, e você foi injusto comigo em aparecer quando eu estava começando a viver e a desvendar o mundo, foi crueldade que aos 17 anos eu encontrasse o meu príncipe e que ele não pudesse viver o “para sempre” comigo. Eu conheci muitas pessoas, muitos lugares, me tornei bem diferente daquela adolescente, mas o vazio que você deixou me acompanha por cada dia, em cada momento. Estudei, me empenhei em ser uma boa profissional, me mudei, e até me casei, mas nunca foi como era com você.
Eu senti (e ainda sinto) falta dos seus olhos lindos, da sua boca perfeitamente desenhada, de lábios macios que me presenteavam com os beijos mais deliciosos. Senti falta da sua pele quente, de me sentar em seu colo, enroscada em seus braços. Senti falta da sua voz. Senti tanta falta da forma como você olhava pra mim e me fazia pensar que sempre estaria ali, ao meu lado. Senti falta de ficar observando as pulseiras no seu braço esquerdo. Senti falta de como você cuidava de mim. Depois que você partiu, eu cuidei de tantas pessoas... mas nunca houve reciprocidade e cheguei ao ponto de desaprender a ser cuidada. Foi um susto quando alguém me disse isso e mais ainda quando refleti e notei que era verdade, eu não me permitia (e ainda não me permito) ser cuidada, mas eu seria a pessoa mais feliz do mundo se recebesse seus cuidados mais uma vez e se também pudesse cuidar de você. Sinto falta de como eu era feliz com você, como me sentia completa.
A sua ausência dói de uma maneira que nem sou capaz de explicar. Às vezes meu coração se acalma e quase deixa você guardado no espaço das boas recordações, mas então você não aceita ficar lá e toma conta de tudo novamente. Há alguns dias que penso em você o tempo todo... há alguns dias que a saudade me faz chorar... há alguns dias me sinto totalmente perdida no mundo. Em cada um desses dias eu quis lhe falar. Em todos eles, quando entrei no carro pela manhã, meu desejo era ir até você, dar um jeito de te encontrar, fingir um acaso ou só estar próxima pra te observar, te ver mais uma vez, sussurrar um adeus... e mais nada. Tenho coragem pra tantas coisas, mas não pra isso. Não acho correto impor minha presença sem que seja desejada.
Apesar de tudo, de ter bem clara toda a situação, de saber de toda a impossibilidade de estar com você novamente, eu não consigo deixar de ter esperança. É tão piegas, mas imagino uma mensagem chegando... nela você diz que me espera no “nosso lugar”. Com o coração disparado e um sorriso no rosto, vou o mais rápido que posso. E você está lá, debaixo das mesmas árvores... todas permanecem iguais, talvez também esperando por esse dia. Você, com os mesmos olhos intensos, o sorriso doce... como é difícil escrever isso, impossível não ter as lágrimas saltando dos meus olhos... Então, passos apressados, vou até você e me jogo em seus braços como nos filmes em que as personagens se reencontram após um longo tempo distantes. Como eu desejo isso, como não precisaria de mais nada para ser completamente feliz. Esse é o meu pedido de todas as noites, ainda que meu lado racional me mande deixar de besteira, esquecer o passado pra conseguir viver novamente. Mas eu ainda não descobri a fórmula para o esquecimento, e mesmo que a tivesse, preferiria conviver com a tristeza frequente de não ter você ao meu lado, do que esquecer as lembranças dos melhores momentos que tive, e que foram com você.
Eu quero que você saiba que aquele amor adolescente não foi “brincadeira de criança”, que ele resistiu ao tempo bem fixo e forte no meu coração. Que eu nunca deixei de pensar em você, e guardei com grande carinho e enorme saudade, sua foto num porta retratos que sempre está ao meu alcance. Saiba ainda que eu te amo muito... tanto que chega a doer, e que eu faria qualquer coisa para te reencontrar e dizer isso olhando nos seus olhos. Eu queria que fosse possível... que fosse possível te encontrar novamente, falar que te amo e que é real e tão intenso... Que fosse possível te amar não aqui, longe e em segredo... que esse abstrato um dia se tornasse concreto... ah, como eu queria! Se um dia você também quiser, bom, você já sabe, eu ainda estarei aqui.

Você é meu amor pra toda vida!

domingo, 15 de março de 2015

Carta para a esposa do meu primeiro e único amor

Eu sinto uma baita inveja de você! Daria a vida que me resta pra tomar seu lugar por um dia e uma noite. Ah, eu sei, eu seria a mulher mais feliz do mundo ao abrir os olhos pela manhã e admirar ele dormindo. Sairia na ponta dos pés pra preparar o café e voltaria pra acordá-lo com um beijo de bom dia. O café teria que esperar por um tempo, para que a gente se amasse e assim o dia começasse da melhor maneira possível. A gente sairia junto pro trabalho, depois de uma farra rápida com os cães e algumas risadas gostosas em que eu ficaria admirando aquele sorriso lindo que ele tem, e o jeito como seus olhos brilham nesses momentos. Nos abraçaríamos, e eu sei que iria me doer deixar os braços dele, nos beijaríamos e também não seria fácil me ausentar daqueles lábios macios. Eu observaria ele se afastar no carro, mas ainda permaneceria um tempo parada, pensando em “como amo esse homem” e em como “sou feliz por tê-lo comigo”. Então, pegaria o celular pra mandar uma breve mensagem de “já estou com saudades”, sem esperar ou me importar com a resposta... eu só gostaria que ele nunca duvidasse do meu amor.
Almoçaríamos juntos e eu mergulharia em seu mundo, atenta a tudo o que ele me contaria que acontecera naquela manhã. Talvez ele me perguntasse sobre como foi a minha também, mas eu responderia um rápido “foi tudo bem, igual sempre”, só pra poder ouvi-lo falar mais. Sabe, eu amo a voz dele, tão calma sempre... Você tem sorte em tê-la bailando em seus ouvidos. Não sei se alguma vez ele cantou pra você, mas eu... sem dúvida pediria que sussurrasse canções pra mim! Voltaríamos ao trabalho e no meio da tarde, lhe enviaria uma daquelas mensagens provocantes e a gente se divertiria escrevendo umas bobeirinhas um para o outro. Eu sairia do trabalho primeiro e correria pra casa pra preparar uma noite bem gostosa. Uma comidinha especial, um vinho, quem sabe, algumas músicas... Ele chegaria com aquele jeito cansado, e sempre irritado ou preocupado com algo pra resolver. Então, eu poderia por em prática os vários cursos de massagem que fiz, até que ele estivesse com cada músculo relaxado e uma carinha de quase sono. Ele tomaria um banho e eu colocaria a mesa. Conversaríamos algumas banalidades e depois de tudo organizado, eu me sentaria em seu colo pra também receber seu carinho. Poderia sentir aquelas mãos suaves em minha pele... você as tem ao seu alcance todos os dias... Iríamos pra cama, pro aconchego do nosso quarto, onde as paredes guardariam carícias, desejo, amor!

Talvez você não saiba, talvez não tenha vivido coisas suficientes pra notar a joia rara que possui. Eu lhe digo que não há no mundo homem como o seu! Ele é lindo em todos os sentidos! A vida não me deu o presente de tê-lo comigo, mas me permitiu ao menos alguns momentos de plena felicidade que ele me proporcionou e que se tornaram inesquecíveis. Se não fui merecedora de tanto, e você sim, faça-o feliz e seja feliz com ele! Ele é companheiro como ninguém mais sabe ser, carinhoso, atencioso e de um caráter inquestionável. Eu ofereceria o que tenho em troca de alguns momentos com ele, então não desperdice todos os que você possui com besteiras! Você o tem ao seu lado, aproveite com ele as coisas simples e realmente valiosas da vida, vá ao cinema pra curtir um filme de mãos dadas, saia pra um passeio por aí pelo puro prazer de desfrutar da companhia um do outro. Viaje com ele... o mundo é enorme e viagens são presentes que duram para sempre, nada é mais especial que descobrir novos lugares na companhia de alguém que nos faz bem. Admire o por do sol na praia com a cabeça em seu ombro, dedos entrelaçados, caminhe pela serra numa manhã de outono, a paisagem é incrível. Dance tango, ou tente e caia na risada por “pagar o maior mico” nas ruas cheias de charme da Argentina, observe-o nos vales do Peru, e aproveite pra sentir a paz espiritual daquele lugar, vocês se sentirão renovados e ainda mais unidos. Viva com ele, não deixe a vida simplesmente passar! Ele te escolheu... sinta-se a mulher mais feliz por isso... eu em seu lugar, me sentiria. Ele é um homem pra se ter por toda uma vida, e claro que sofro por não ser eu quem irá partilhar com ele esse tempo, você é o amor que ele encontrou, ele é o seu... Não deixe a rotina ou as pressões sociais calarem o que há em seu coração e que é realmente o que importa. Não deixe de oferecer a ele seu amor, porque sei que também receberá, e demonstre isso com atitudes e também dizendo que o ama... eu tenho esse desejo todos os dias... Faça por mim, e faça mais ainda por você. Vá até ele agora, mire seus olhinhos pequenos e profundos, e sussurre com o coração aberto que o ama. Quando fizer isso, sinta o privilégio que recebeu, saiba que você também deve ser uma mulher incrível por tê-lo conquistado e mais ainda, por terem permanecido juntos nesse mundo de desencontros. Não o perca, não se percam! Eu lhe garanto, você não encontrará outro alguém que seja tão incrível... eu procurei por longos anos, ainda procuro... mas sei que “alguém assim não há”! 

Odeio que você seja só uma lembrança...

Eu odeio estar aqui, em plena noite de sábado, refugiada no banho, deixando as lágrimas correrem com a água e toda essa dor que sua falta ma traz. Eu odeio que você tenha me abalado tanto! Odeio como todas as pessoas agora parecem sem graça e a mania que tenho de procurar seu rosto por aí. Odeio notar traços seus em alguém... ou alguma outra coincidência, porque eu deixo de enxergar o resto, numa fixação louca de algo de você. Odeio querer ouvir sua voz, melodicamente no mesmo tom sempre. Odeio... e muito, essa vontade de mirar seus olhos pequenos, tão cheios de vida, segredos, anseios... Eu odeio que você seja esse homem incrível... Sabe, eu não conheci muitos “homens”, na verdade, nunca encontrei alguém que fosse uma pontinha do que você é! Odeio que você seja meu ponto de comparação, é injusto demais! Sei que, passe o tempo que passar, ninguém irá te superar, o pódio é seu! Odeio que você tenha me proporcionado tanta felicidade nas coisas mais simples. Odeio o fato de que você estava sempre lá, e agora, ainda que eu esteja no nosso lugar todas as manhãs, a calçada está vazia. Odeio me sentar ali sem você e levantar meus olhos molhados de lágrimas para as árvores que permaneceram, intocáveis, assim como esse amor que mora em mim. Odeio me jogar na cama com suas fotos antigas nas mãos e as recentes na tela do celular. Odeio a mania ridícula e clichê de conversar com suas imagens como se um dia você fosse sair dali e me responder. Sabe... você tem o pulso mais lindo que já vi, e odeio ter desenvolvido o fetiche de observar pulsos... o seu é imbatível! Odeio todas essas boas lembranças, sem que exista ao menos uma ruim pra que eu me agarre e sinta raiva de você! Odeio que tudo tenha sido tão bom... odeio sua perfeição! Odeio não ter uma carta sua, adoro letras! E ainda que não a tenha no papel, ela está bem nítida em minha memória. Odeio essa vontade doída de te abraçar e acho que se um dia isso acontecesse, eu morreria dentro dos seus braços, por medo de me afastar e ver você indo embora outra vez. Odeio ter sentido seus lábios nos meus uma última vez... ainda que eu passasse a vida escrevendo, não seria capaz de externar o quanto aquele momento foi especial pra mim, como o mundo parou e o relógio voltou no tempo... em quando ainda podíamos nos dar todos os beijos que quiséssemos. Odeio querer muitos outros beijos teus... até que essa vida termine! Odeio as orquídeas que estão ali fora, floridas, tão vibrantes... acho que você adoraria! Odeio meus queridos peixes... eles ainda estão aqui porque como você disse, o segredo é não matá-los de tanto comer. Eles sabem de tudo, conversamos muito... bom, na verdade eu falo, enquanto eles ficam com esses olhinhos negros me observando. Odeio o fato de não nos falarmos mais... e odeio saber que isso nunca deveria ter acontecido. Odeio não ser dessas loucas que fazem escândalos em busca de atenção... eu nunca faria algo que lhe causasse mal. Odeio como esse nó se apodera da minha garganta, e essa vontade de lhe dizer tudo que sinto me tira do eixo. Odeio estar aqui escrevendo todas essas coisas, odeio esse amor, odeio te amar!  

Daqui a 50 anos eu ainda vou lembrar seu nome, e como você me fez ser tão feliz...