E assim você foi me
perdendo... tanta coisa se esvaindo aos poucos, por cada dia.
Primeiro foi a paixão, que eu
arranquei de dentro de mim depois do seu discurso ridículo de que “eu merecia
alguém melhor”. Acontece que, naquele momento, você era tudo pra mim, era o
melhor, tinha feito com que eu abrisse novamente as portas do meu coração. Mas
em sua fraqueza, você achou mais fácil colocar um ponto final do que lutar ao
meu lado por um “nós”, sua covardia frente à vida e à dura realidade de que eu
precisava de você também, e não apenas você de mim, trouxe o fim. Meses de um
sofrimento indescritível, e então a necessidade desesperada por você diminuiu
até quase desaparecer.
O amor... acho que um pouco
dele ainda permaneceu, afinal não se deixa de amar assim de repente. Carinho...
uma réstia de desejo. Mas você não se preocupou em preservar nada disso. Minha
função na sua vida nunca esteve tão clara. Eu sou a mulher madura que cala as
próprias dores para ouvir as suas inseguranças. A que está sempre disponível
com um discurso de autoestima preparado para cada situação. A droga que relaxa
e acalma. O vício para o qual você corre quando acha que as coisas não vão bem.
Eu sou o corpo que te satisfaz... apenas corpo e nada mais. E quando isso não é
possível, eu não tenho qualquer importância na sua vida.
Com isso você perdeu todo o
resto que sobrou de bom, alguma chama que ainda trepidava dentro de mim. A sua
frieza soprou tão forte que apagou tudo.
Hoje olhei para as cinzas do
que um dia existiu... não doeu em mim, não agora, nada mais dói. Eu aprendi com
você, sei fazer igual, sei seguir o seu exemplo. Dessa vez o sopro foi meu, não
quero seus restos em mim quando eu posso ter muito mais que isso. Não... eu não
aceito as suas migalhas, obrigada!
Não há mais nada... e eu
sorri. A realidade às vezes dói por um tempo, mas nada é tão libertador! E sabe
querido... eu ainda tenho tanto pra voar...

