domingo, 30 de março de 2014

De volta...

Me levantei. Não posso dizer que acordei porque novamente não dormi. Estou aqui, sentada na cama, olhando pra chuva lá fora e me sentindo uma fraca! Fracassei por não ser forte o suficiente, por deixar a depressão me invadir de novo e agora não encontrar um motivo concreto que me faça sair dela novamente, como da outra vez. Perdi as contas das crises durante a noite, o ar que não chega aos pulmões, o coração disparado enlouquecidamente como se fosse explodir, calor, frio, uma dor imprecisa, os pensamentos fervendo. Vou pra terceira semana, totalmente decepcionada comigo mesma. Desde a primeira vez ela até tentou me tomar novamente, mas eu consegui ser mais forte... mas agora... meu Deus! Eu não estou conseguindo...
Me lembro bem da “primeira vez”, os sintomas vindo aos poucos, eu insistindo em não enxergá-los, afinal, “depressão é frescura, coisa de quem não tem o que fazer”, e eu tinha! Acordava cedo pra preparar o café, o almoço, um lanche pra tarde, o uniforme dele... Depois saía para o trabalho às 9h e só retornava às 19h voltando para as tarefas da rotina da casa. Eu tinha muito o que fazer, então, não era possível que me sobrasse tempo pra deprimir. Ela não precisou de tempo, nem ligou pra minha vida corrida. Notou minha solidão e decidiu ser minha companhia. Era preciso uma força extrema pra sair da cama pela manhã, mesmo que não tivesse dormido, o que ocorria na maioria das noites. Mais força ainda para fazer mínimas coisas, como colocar a roupa na máquina pra lavar, quando a única vontade era deitar e chorar. O trabalho conseguia me distrair um pouco e algumas vezes, eu ficava muito além do meu horário, não queria voltar pro vazio da minha casa. Não, eu não morava sozinha, tinha um relacionamento, mas ele sempre estava muito ocupado com o trabalho, dia, noite, finais de semana. Eu não tinha alguém pra me ouvir, pra me acompanhar nos lugares, era dolorido sair sempre sozinha para os aniversários, casamentos, festas de confraternização do trabalho. Por um tempo as pessoas me perguntavam onde ele estava, e a resposta era sempre a mesma: “trabalhando”. Depois de um tempo, já iam logo afirmando “o fulano está trabalhando né?”, ao que eu apenas confirmava. E então, nem isso mais. Era sempre apenas eu! As mesas envoltas pelos casais de amigos, e eu...
Bem, até então eu era “a forte”, essa era a imagem que a minha vida passava. Fui morar em outra cidade, distante, sozinha, e no momento em que precisava de apoio, o que ocorreu foi o contrário, e mesmo longe, era eu quem tranquilizava a todos. Ninguém sabe a dor que era acordar no domingo sabendo que era dia de partir, chegar lá sozinha, caminhar os três quarteirões vazios, sombrios, típicos de um domingo à meia noite, abrir a casa, ouvir o silêncio... a única coisa que eu conseguia fazer era cair na cama , ligar o rádio no meu programa favorito de flashbacks e chorar... chorar até que começasse a amanhecer e fosse hora de ir para o trabalho. Mas isso eu vivia sozinha, internamente. Por fora eu estava bem, feliz, uma muralha! Ele me ligava e era eu quem dizia que tudo ia ficar bem. Em uma dessas vezes, ele chorava falando de como tudo estava tão difícil, que não queria mais viver. Feito louca, eu me enfiava numa roupa e ia pra rodoviária esperar o próximo ônibus, eu precisava ajudá-lo! E aí, anos depois, pela única vez em que eu precisei do apoio dele, me deparei com o nada.
Eu piorava e insistia em não aceitar a doença. O ano era 2011, talvez fosse outubro ou novembro.  Então, numa manhã eu saí para o trabalho. Era longe e eu ia pela rodovia. Eu vivia os dias de forma mecânica, quando percebia já estava no trabalho ou em casa e nem sabia como. Dirigindo naquela manhã, totalmente vazia, eu olhei a mureta que dividia a pista, olhei para as minhas mãos segurando a direção, e me imaginei lançando o carro a toda velocidade bem ali. Imaginei a pancada na cabeça, a ferragem me esmagando, e sangue... muito sangue. Daí pra frente tudo era paz, havia acabado enfim, eu estava livre! Morrer era meu único desejo nos últimos dias e, naquele instante eu planejara e assistira a minha morte. De repente, eu despertei, foi um choque, “o que eu estava fazendo?” Logo eu, sempre estudando o espiritismo e sabendo que jamais encontraria paz se colocasse fim à minha vida! Então eu parei o carro, e chorei... chorei muito, alto,  até soluçar e sentir minha cabeça toda doer. Olhei para o céu azul de um dia lindo, do qual eu havia pensado em me livrar, e decidi que já era hora de me resgatar, reconstruir, voltar a viver. Eu não podia esperar apoio de ninguém, tudo dependia apenas de mim...
Decidida, fui ao médico, que me prescreveu um antidepressivo e algumas sessões de terapia depois de me ouvir entregando milhões de lenços para que eu secasse o turbilhão de lágrimas. No fim da consulta, me abraçou forte, olhou nos meus olhos e me disse que eu era uma mulher linda, que devia me afastar do que estava me fazendo mal (eu sabia o que era, e ele também), e que, com certeza, isso iria me fazer sofrer muito menos, seria até um alívio.
Não me adaptei ao remédio, fiquei horrível! Não conseguia olhar para a comida, qualquer que fosse. No trabalho, eu me sentava na frente do computador e não conseguia me mexer, passando horas olhando pra tela. No quarto dia não tomei a medicação. Acordei, calcei meu tênis e fui correr. Voltei bem melhor. À noite, depois do trabalho, parei na clínica de estética próxima de casa e fiz um pacote de massagens. Instituí a quinta o dia de sair com as amigas após o trabalho, por mais que não tivesse vontade. E então eu consegui! A vida estava de volta dentro de mim. Tudo teria sido mais fácil se tivesse um companheiro, que me abraçasse forte, fizesse com que eu me sentisse desejada e viva! Eu fui apoio por tanto tempo, mas quando fraquejei, estava só...Tantas noites desejei que ele me deitasse no colo e me fizesse um cafuné... mexer em meu cabelo me acalma... mas não, ele estava cansado, “eu precisava parar com essa frescura, porque ele já tinha os problemas dele”.
Apesar de tudo, a depressão me fez enxergar que eu estava oferecendo tudo o que tinha, mas que isso não era recíproco. Foi quando comecei a abrir os olhos, e eles ainda levaram mais de um ano para se abrirem por completo.

Agora eu vejo tudo acontecer de novo, e eu simplesmente estou cansada demais. A tempestade não dá trégua, as lágrimas também não. Dói, a garganta aperta e eu choro... em casa, no carro, no trabalho, mas ninguém vê... de novo vou abafando cada sentimento, tudo exatamente igual, como um filme que a gente não gostou, mas que assiste de novo. Eu não quero abrir os olhos, não quero um novo dia, mas mesmo assim ele vem e eu preciso vivê-lo. Eu quero um abraço quente e forte, as mãos mexendo em meu cabelo... a calma que isso me dá... mas o quarto está vazio, a chuva cai lá fora, o meu mundo cai aqui dentro... 

domingo, 23 de março de 2014

Me desculpa por te querer

Eu sei que, eu nunca vou conseguir te dizer isso, primeiro porque é tanta coisa e a emoção e a dor me roubariam tantas delas, e em segundo porque você jamais conseguiria ouvir e menos ainda entender. Nem mesmo sei porque escrevo... talvez pra tirar um pouco da dor, aqui sozinha, pra buscar um alívio que eu sei que não virá! Mas e daí? Já estou tão acostumada em enganar a mim mesma que nem fará diferença.
Bom, isso pode parecer tão dramático, mas eu não nasci pra ser feliz. Não me dói dizer isso, porque, apesar dos meus sorrisos serem poucos, eu consigo despertar a alegria de tantos, me empenho em dar aos outros o que eu gostaria de receber, ou talvez bem mais. Me importo com a lembrança e os sentimentos que cada um poderá ter de mim, me sentiria horrível em saber que magoei alguma pessoa, que fui motivo de dor, raiva, lágrimas... Não foi a vida que me ensinou a ser assim, é algo que nasceu comigo. Enquanto as crianças choravam querendo brinquedos pelas lojas da cidade, eu chorava desesperadamente para que minha mãe não gastasse seu dinheiro com brinquedos para mim. Doía, doía demais... eu via aquele jogo que uma amiga tinha e que eu adorava e, no dia das crianças, lá ia minha mãe mais uma vez me levar para escolher o presente, pegar o tal jogo, e ter que então controlar meu choro devolvendo o presente na prateleira, observando a expressão das pessoas que não entendiam nada. Foi assim também na escola, sempre! Eu ajudava a todos e era o ouvido sempre pronto para ouvir um desabafo. E não haveria de ser diferente em meus relacionamentos. Eu sempre me entreguei sem medo... me ferrei pra caramba, mas e daí? Não dá pra viver uma vida pela metade! Sei que da última vez o tombo foi grande e as marcas profundas demais e indeléveis. Como esquecer? Como apagar da memória a minha própria imagem no auditório da formatura, segurando nas mãos os sete convites para ele e toda a família, pagos com tanto esforço com o pequeno salário que tinha que fazer milagres nos anos de faculdade. Tudo em vão... ele não foi... precisou sair com os amigos. Como esquecer o som dos fogos de artifício à meia noite, que embalavam a minha solidão no último dia de um ano, e no primeiro de um outro... As taças e o vinho sobre a mesa, o telefone na mão esperando ao menos uma ligação que não veio. Como não pensar que nas noites em que ele estava “trabalhando”, talvez estivesse com ela, enquanto eu, como uma idiota, ficava em casa esperando um pouco do que sobrasse pra mim. Não dá! Passe o tempo que passar, é impossível não me arrepender dos sonhos todos aos quais abri mão pra realizar os dele... e o que eu tenho agora? Essa dor pra conviver e o meu “eu” pra tentar recuperar. Por mais que eu vivesse a minha solidão, me sentisse um nada, passasse meses sem receber um beijo, nunca passou pela minha cabeça procurar isso em outra pessoa, eu imagino a dor que seria pensar que a boca que me beijava também beijava outra, as mãos tocavam em outro corpo... eu nunca seria (e nem serei) capaz disso!
E o que isso tem a ver com a gente? Quase nada... Acontece que hoje, com você eu tenho muito mais do que poderia sonhar, posso fazer mil coisas e sempre estarei pensando em você, não tem espaço pra mais ninguém e, não desejar outra pessoa não é uma obrigação, é simplesmente porque eu não preciso. Acontece também que, ainda não estou pronta pra minha solidão “acompanhada” de alguém. Eu preciso de alguma distração para não enlouquecer. Eu preciso sair para o mundo nesses momentos, por mais que a minha vontade seja cair na cama e chorar. Eu já me matei uma vez, deixei de existir completamente e, se eu fizer isso de novo e precisar um dia me reconstruir, sei que não vai dar!
Hoje... hoje eu precisava de você! Eu queria te contar do painel de poesia que organizei com os alunos, do fato super emocionante que ocorreu durante a aula. Eu queria te contar que ganhei bolo de chocolate na aula de inglês, que numa das salas, morremos de rir porque um aluno que não é de se esforçar muito, fez um trabalho maravilhoso, e eu disse pra ele não perder porque meus colegas iriam me matar quando eu lhe desse uma nota “azul”, e ele teria que comprovar que realmente foi merecido! Eu queria te contar que o jogo de basquete foi emocionante, e que conversamos com o Hélio Rubens. Queria falar dos conselhos “sacanas” que dei pra uma amiga, e de como a gente riu disso. Ahhhhh, eu queria te contar que fui na livraria no sábado pra tirar xerox, e que comprei um caderno muito engraçado pra você, e que ele ta aqui do meu lado agora... Mais que tudo isso, eu queria não ligar pra nada, não sentir nada. Eu queria tanto não querer... mas me desculpa se eu não consigo!


sábado, 15 de março de 2014

Nunca é tarde...

Eu sei, isso é uma loucura absurda! Meus amigos, que realmente me conhecem, vão jurar que eu não escrevi isso, que invadiram meu blog e publicaram algo totalmente contrário às minhas convicções. Mas... acreditem... eu escrevi!!! Juro! Eles também sabem que eu não minto...
Nunca me liguei em convenções e rituais desses criados pelos homens e tidos como obrigatórios por grande parte da sociedade. Gosto de simplesmente viver, sem ter que seguir regras pré determinadas, que não fazem sentido algum. Com isso, nunca fez parte dos meus sonhos o “casar com vestido branco” e tudo o mais que acompanha o “evento”. O único comentário (meio sarcástico, talvez irônico) que eu já fiz foi de que, se me casasse algum dia (algum muito distante), teria que entrar na igreja ao som de “November Rain”, o que sempre acabou sendo motivo de piada entre os amigos. Vestidos de noiva não me despertavam a atenção, nunca havia parado pra pensar em como seria, ou como eu gostaria que fosse o “meu casamento” (que medo de escrever isso, demorei minutos eternos com os dedos sobre as teclas procurando outra palavra... não achei!). Até que... no último sábado, voltando pra casa depois de uma tarde longa de trabalho, parei no semáforo e observei a cena que se desenrolava do outro lado da avenida. Uma jovem lindíssima estava a poucos minutos de atravessar a porta rumo ao “sim”. Seu rosto todo sorria, os olhos faiscavam... era possível sentir sua alegria a vibrar pelo mundo afora. O sinal abriu e eu segui... o caminho embaçado pelas lágrimas que caiam dos meus olhos e molhavam um sorriso estampado em meus lábios. Eu! Que nunca fui dessas que choram em casamentos, estava emocionada com uma noiva (linda e extremamente feliz) na porta de uma igreja?!!!

Bem... o que eu sei é que, esse fato tão comum, mexeu comigo. E muito! De repente me peguei imaginando como gostaria que fosse meu vestido (affff, “MEU”!), branco, é claro, nada de babados ou rendas, liso como a superfície calma de um lago... tão lindo! Mais de repente ainda eu estava lá, no lugar daquela jovem, aguardando a porta se abrir. O mundo não existia, meu coração era o único som que eu ouvia, seu descompasso que palpitava por todo meu corpo. E então era hora... as duas portas davam lugar ao corredor que me levava até ele. E quando eu levantava os olhos, o via de pé ali, esperando (dificílimo colocá-lo dentro do terno... muito trabalho pra minha imaginação!), os mesmos cabelos bagunçados onde eu adorava emaranhar meus dedos, aquele sorriso meio de lado, acompanhado pelos olhos quase se fechando... Não sei se tocava November Rain, eu não conseguia ouvir nada além do meu coração batendo de amor por ele. Eu também não via os convidados, as amigas queridas que, com certeza, acenavam enlouquecidas para mim... meus olhos não conseguiam se desviar dele. Nesse momento, precisava usar de todo o meu controle para não sair correndo e me jogar em seus braços! Os passos... as pernas tremendo... eu via a nossa história se passando rapidamente em flashes pela minha memória... o primeiro beijo no carro, e depois... bem... melhor ficar só com o “depois”, o jeito dele, sempre tão carinhoso, atencioso, a forma como não tinha que fazer nada para me deixar louca! Era tudo o que eu precisava... e nunca tive! E então, o último passo, a mão dele já estava em mim, apertando minha cintura (eu já queria abrir cada botão daquela camisa que minha imaginação custou tanto pra abotoar, agarrar seus cabelos, me enroscar em seu corpo), nossos olhos se encontravam, seu sorriso me fazia explodir de tanto amor! E daí, antes de tudo, sua boca beijava meu rosto e sussurrava em meu ouvido o que ele sabia que me deixava ainda mais louca, só pra me provocar... “gostosa”... (a respiração propositalmente forte e quente). Meu corpo se contraía e eu pensava... “será que ainda vai demorar?!!!”

domingo, 9 de março de 2014

Recomeçar...

Em você eu me renovo! Seu colo quente deixa minha cabeça fria. Em seus olhos eu esqueço do mundo, esqueço de mim, sou aquela adolescente louca de amor e livre de problemas. Não há mal que supere o poder da sua voz em me fazer bem. Quando você canta em meu ouvido, sinto uma felicidade tão grande, que transborda em meus olhos. Você não vê, mas muitas vezes, as lágrimas saltam e eu as seco rapidamente.
Enquanto você me dá boa noite pelo telefone, meu corpo se contorce na cama desejando o seu, e então eu sorrio sozinha, tentando descobrir como você consegue isso! E eu sei que esse desejo não tem fim, não importa quanto tempo eu passe ao seu lado, as horas mágicas de amor, eu sempre vou querer mais.
Queria ter um pó mágico que permitisse a você, por alguns instantes, sentir tudo isso, pra ter ideia de quão grande e importante é! Pra que você sentisse o que eu sinto quando você chega, quando eu posso enfim te tocar. De quanto eu amo olhar pra você, te observar falando, falando, falando, sempre tão animado com tudo. De como seu corpo e seu sorriso mexem comigo. Da paz que há quando repouso em seu peito, meus sentidos todos ocupados com você...

E nas várias vezes em que penso nisso, agradeço aos céus porque sei que nada poderia ser melhor. Você é exatamente a pessoa que eu precisava pra esse novo recomeço!  

quarta-feira, 5 de março de 2014

Medo do medo!

Eu até repetia os versos da canção... “Ei medo, eu não te escuto mais, você não me leva a nada!”, mas ele gritava alto dentro de mim e nem mesmo a música no volume máximo o fazia se calar, e eu sabia que talvez nunca mais ouviria o seu silêncio. As marcas deixadas eram profundas demais e imaginar que pudessem se repetir era desesperador. Sentir a insegurança que nunca fez parte da minha vida era estranho, triste. Meu “eu” despreocupado, sem paranoias, tão seguro, já não existia mais e eu não gostava do novo que morava em mim.
Eu adiei tudo isso, escolhi o caminho da razão, do vazio, fechei meu coração, mas então de uma forma tão louca, e tão de repente isso não foi mais possível! Ele chegou com tudo, arrebentou todas as minhas trancas e se instalou dentro de mim. Tudo tão intenso, exatamente da forma como evitei.
E então, eu me descobri tão frágil... e nesse momento eu encontrei o medo! Primeiro o medo de que tudo voltasse a se repetir, o que só piorava ao ouvir as pessoas dizendo que eu estava fazendo tudo igual. Mas não, isso não me alterou tanto. O problema é que eu estava lá, no lugar errado, na hora errada. Eu assisti àquela cena, que depois disso, nunca mais deixou de se repetir na minha mente. Como num clique, descobri que era tarde, que eu já precisava dele mais do que deveria. Eu não era mais capaz de me imaginar sem ele, já era o meu vício, e por mais que doa admitir, que me pareça um total absurdo afirmar isso, eu estava totalmente dependente.

Me invadiu aquele medo de acordar e não viver a ansiedade à espera da mensagem de bom dia, de que a janela no chat nunca mais estivesse ali, no canto da tela. Um medo profundo de não tocar mais a pele dele e sentir seu corpo que me deixa louca. Não ouvia a voz que me acalma a alma. Não ter mais os beijos que me fazem esquecer de tudo e flutuar pelo espaço. Medo de não ouvi-lo mais antes de dormir. De olhar suas fotos e sentir uma saudade que nunca será saciada com a presença dele. Um medo profundo de ter que aceitar e conviver com o vazio que ele pudesse me deixar. Me deu medo de perceber que esse medo agora mora dentro de mim!