quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Palavras...


É incrível como algumas palavras ecoam por nossa mente para sempre... como continuam a machucar e nos fazer acreditar no que nem mesmo é real. Aprendi a me calar nos momentos em que a boca quer falar antes do cérebro e do coração. Eu trabalho com as palavras e sei o poder que possuem. Hoje, mais uma vez eu ouvi a voz dele me dizendo que não tinha tempo pra mim, que nossos sonhos eram tão diferentes quando na verdade o meu único sonho era vê-lo feliz. Vi seus olhos me fitando e sem qualquer cuidado, ele me dizendo que eu não seria capaz de fazê-lo pai, que quando sua vida estivesse “estabilizada” eu não poderia! É isso mesmo... eu estaria velha demais! E eu, que até então me sentia tão feliz com meus trinta e poucos anos, parei para pensar que talvez eu devesse deixar de usar meus shorts e vestidinhos, minhas blusas de Mickey, minhas sapatilhas cor de rosa, minha coleção de all star... Eu, que nunca tive problema algum em afirmar que a maternidade não era um sonho, passei a me questionar sobre isso também.

Mas então, depois disso tudo, de respirar e reavaliar minha vida, eu percebi que adoro meu jeans, camiseta de bichinhos e all star... descobri que meu lado moleca não permite que a dureza da vida e a rotina desgastante dos dias me torne fria, ranzinza e realmente velha! Mas principalmente eu tive a certeza de que um garoto mimado e que pouco sabe da vida realmente não tem tempo para uma mulher como eu. Nesse instante, ainda que dez anos mais “velha” que ele, eu me senti extremamente feliz por essa diferença... notei que a maturidade, não de anos, mas sim de vida, não permitiu que eu me desesperasse e me tornasse algo que eu não sou. E ainda que algumas vezes essa lembrança doa fundo, foi ela que não me deixou apertar o botão do replay e viver todo um erro novamente. Foi essa dorzinha que ficou que me fez levantar a cabeça e seguir, apenas em frente, sem voltar o olhar e os sentimentos para o passado.

Hoje eu não tive tempo para permanecer nessa lembrança porque a minha velha alma está ocupada demais sendo feliz! Se para ele seria tarde demais, há quem acredite que ainda é cedo e que existe um longo e maravilhoso caminho pela frente. É com essas pessoas que eu quero seguir, lado a lado. E ainda que lá no fim eu precise de apoio, que ele não me falte, porque enquanto eu puder, serei o apoio mais sólido para os meus!


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Vê se vem logo...


Fica comigo vai?!!! Chega assim de mansinho, daquele jeito em que vou sentindo seu calor cada vez mais próximo. Me deixa ter seu toque... suas mãos que quero tanto em mim. Me aconchegue em um abraço forte, daqueles em que meu ouvido colado em seu peito consegue ouvir as batidas do seu coração. Enrosque os dedos em meus cabelos. Me olhe com esses seus olhos semicerrados, fascinantes e que me fazem esquecer de respirar. Deixe sua voz de domínio sussurrar ordens, desejos... Me faça sorrir... é, eu descobri que você tem esse poder! Segura minha mão e me faz acreditar que o mundo é esse lugar tão lindo! E então, quando a noite acabar, me deixa com essa vontade de voltar no tempo e passar por tudo de novo... com o desejo e aquela quase certeza de que ainda tem mais... e com essa cara de boba que estou ao escrever isso!

Fica comigo?!!! Ainda que pareça uma loucura desmedida, ainda que saibamos de nossas tantas diferenças, ainda que qualquer futuro seja uma impossibilidade... Só fica agora, sem antes nem depois, sem o peso de planos, expectativas, cobranças... fica?!

Me dê a certeza de que você também quer... porque eu, ah... eu quero tanto! Não me deixe mais sem saber o que fazer quando eu preciso tanto fazer algo... quando eu desejo tanto seu abraço, seus lábios nos meus e uma fusão de energias suas e minhas. Eu já não consigo manter todo esse controle, já não dá pra evitar te olhar porque meus olhos entregariam minha vontade, não ficar tão perto porque meu corpo faria o mesmo, fingir que sua voz não me estremece e que de repente a mulher segura, prática e com um coração de pedra me abandona quando você chega.

Então, vê se vem logo... eu preciso de você com uma urgência que incomoda... sem promessas, dúvidas e só a certeza de que eu quero muito! O amanhã depois a gente vê o que faz...  Esquece os problemas, o que já passou... também tenho meu cantinho de caos e tanta imperfeição! Mas sabe... deixa tudo de lado, a gente não precisa dessa bagagem... vem sem nada que assim a gente tem tudo pra descobrir...

Os ponteiros do relógio que agora decidiram pausar, caminhar tão lentamente... essa segunda que já vai eterna, e ainda há tanto pra esperar... os momentos que já revivi nem sei quantas vezes... essa vontade de tanta coisa...

Vem... vem e fica comigo vai?!!!

domingo, 16 de agosto de 2015

Obrigada por ser uma lembrança tão linda!!!

Hoje você estava em minhas recordações. Acordei e logo piscou na tela do celular as lembranças dos meus “9 de agosto”. Entre elas um clipe de uma linda canção que você me enviou e que dizia sobre um lugar só nosso. Ver sua foto ali fez meu coração doer. Notar como eu sempre faço as escolhas erradas fez com que o peso do arrependimento fosse ainda maior. Eu não fui capaz de amar o cara mais incrível que cruzou meu caminho. O único que realmente se preocupava comigo, com meu bem estar, que me fazia falar e principalmente era capaz de ouvir com total atenção. Eu, que era um resto dos meus relacionamentos anteriores... e ainda assim você me amou! Diferente de todos, você me conheceu em meu pior e isso não te afastou. Você não quis apenas a mulher independente, forte, sempre feliz e pronta para consertar tudo, você não quis a super-heroína, você quis a mim, com minhas falhas e com meu passado. Enquanto todos se foram nos momentos em que eu não tinha nada a oferecer e sim precisava de uma mão para me auxiliar a retomar a caminhada, você ficou e ofereceu muito mais que apenas apoio. Me fez notar o quanto eu estava acostumada a apenas me doar, como eu havia esquecido que um relacionamento de verdade é partilha. Eu tentei te amar... mas não consegui e já não era mais capaz de ouvir cada “eu te amo” que você me dizia, sem que eu fosse capaz de sentir o mesmo amor. Eu me sentia culpada, ainda que tudo estivesse muito claro e você soubesse das minhas limitações. Eu tentei fazer com que fosse diferente, mas novamente eu falhei. Não fui capaz de amar o homem incrível que é você, que fazia questão de me ligar todas as noites e me “obrigar” a falar sobre meu dia, que tinha tanta atenção aos meus relatos, que lia com carinho cada texto que eu escrevia, que atravessava toda a distância física para estar presente além do virtual. Bom... eu não sei fingir amor e espero nunca saber. Também não consigo viver a expectativa de “eu espero por você... talvez mais um tempo e você seja capaz de me amar”. Tempo é o que temos de mais precioso, eu desperdicei anos do meu tempo em relacionamentos infrutíferos e destrutivos e jamais desejaria tomar em vão os dias de alguém. Você não tem ideia do bem que me fez, eu não tive tempo de lhe dizer... Me fez enxergar coisas importantes em mim que precisavam de mudanças com urgência.

Hoje, quando vi seu nome nas minhas lembranças, eu sorri e agradeci ao universo por ter me permitido conhecer alguém tão incrível. Eu entendo sua mágoa e a necessidade de se afastar, já passei por situações parecidas... mas sinto saudades... Eu espero que esteja feliz, que seus dias estejam repletos de luz, paz, amor e momentos especiais. Você é um homem forte e ao mesmo tempo tão doce, maduro e ainda menino, sensato, de uma inteligência e sensibilidade admiráveis, você é único! Obrigada por fazer parte das minhas poucas boas recordações. E... me perdoe por ser assim, toda errada e talvez ter-lhe feito algum mal. Aquele espaço no meu coração ainda é seu!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Te desejo... (em todos os sentidos)

Hoje é o seu dia... pra você, desejo paz, saúde, realizações, sucesso e muita felicidade... Ao universo eu agradeço! Agradeço porque algum “deus” muito bondoso permitiu que nossos caminhos se cruzassem em um breve espaço de tempo e que me fosse permitido viver os momentos mais incríveis dos meus dias até hoje. Me sinto especial por ter comigo as recordações mais doces e as quais eu nunca me canso de reviver. Ainda que eu escrevesse livros e mais livros sobre isso, eu nunca conseguiria dizer o quanto você foi importante pra mim, e ainda é (mesmo que não acredite!). Você me deu de presente os beijos mais envolventes, o abraço mais aconchegante, uma paixão louca, que só depois de algumas comparações (ou várias) tive certeza de ser muito além... era amor!
Você foi muito pra mim, foi a prova de que sonhos se tornam realidade... mesmo que eu nunca pudesse sonhar com algo tão bom! Você tirou de mim os sorrisos mais verdadeiros, aqueles que depois eu nunca mais consegui sorrir... Fez meu coração bater em descompasso numa melodia que ele não mais conseguiu tocar.
Você tomou conta de mim e me tornou o melhor que já fui... e sinto uma enorme falta de quem eu era com você!
Num breve momento encontrei a felicidade plena, e cada dia da minha vida valeu e valerá a pena por aqueles poucos meses. Seja lá coisa do destino, ou uma tremenda sorte minha (a única vez na vida em que a tive) foi inesquecível, e algo que carregarei por todas as vidas...
Que bom que há alguns anos, num dia de agosto como o de hoje, você chegava a esse mundo... Eu não conseguiria encontrar um presente tão especial para lhe entregar hoje, e que fosse um pedacinho do que você me ofereceu... Obrigada por cada minuto em que eu pude estar ao seu lado...
E pra esse seu ano que começa agora, que seja especial, iluminado, repleto de sonhos realizados, de momentos felizes que se tornarão boas lembranças, de objetivos alcançados... que tenha risadas, pizza com vinho (muito catupiry com bacon), noites com a sensação de dever cumprido, chuva batendo à noitinha na janela e sol iluminando o dia pela manhã... quem sabe piquenique no parque numa tarde de outono, guerra de travesseiros, passeio com o cachorro, cochilo no sofá, domingos de preguiça na cama com filmes e pipoca... viagens mesmo que sejam pra cidade vizinha, mas quem sabe pé esperando a onda do mar, ou cheirinho de café pela manhã na serra. Que tenha cor... sabor... toque... Que tenha abraços... muitos... pois não há sensação mais gostosa do que o encontro de dois corações dentro de um abraço sincero. Enfim, que seja incrível, surpreendente e que na passagem para o próximo, você tenha a certeza de que valeu muito a pena...

Felicidades!!!

domingo, 28 de junho de 2015

Querida Julieta...

Eu morreria por ele, eu abandonaria tudo pra estar com ele mais uma vez! Mas meu amor não deve existir, esse sentimento que toma conta de mim não tem o direito de se concretizar. Sabe, não somos de famílias inimigas como você e seu Romeu... mas talvez fosse mais fácil! E apesar de não me faltar a mesma coragem que tiveste para lutar por seu amor, isso não é suficiente. Eu o amo há tempos, além dessa vida, um amor tão forte que perdura apesar da completa ausência do meu amado. Não acredito que esse amor seja recíproco, ou não faltaria a ele a mesma coragem que carrego. Ele foi meu primeiro amor, e até o momento o único realmente capaz de tocar minha alma. Se me fosse concedido um desejo, pediria todas as vidas ao lado dele. Existe um enorme vazio em todo o espaço que ele ocupou em minha vida... e como ele ainda ocupa, hoje é um vazio preenchido por uma saudade torturante, uma tristeza profunda, uma ausência inexplicável. Ele é essa lembrança que carrego a cada dia e essa esperança boba de que “quem sabe um dia”. Ele faz com que a minha vida passe por longas pausas à espera de que ele venha e me dê um presente e um futuro que substitua esse passado inesquecível. Eu queria a chance de novamente olhar aqueles olhos e dizer que o amo... por todas as vidas! Queria tornar real o abraço com o qual sonho todas as noites. Queria que fosse possível!

Talvez algum dia, eu viva a mesma emoção de Claire ao reencontrar seu Lorenzo. Quem sabe escreva uma nova carta, contando sobre a alegria de entregar a ele esse amor todo. Talvez eu descubra que realmente “nunca é tarde”, e que cada lágrima e cada dia de tristeza e saudade serão substituídos pelos abraços que eu tanto espero. Talvez eu possa permitir que minha alma diga a ele pessoalmente o que sussurra todas as noites para o vazio do quarto “Eu te amo... pra sempre!”

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Eu ainda te amo, mas não quero estar apaixonada...

Você foi uma das minhas paixões mais intensas... que acabou tão rápido quanto começou. E sabe... poucas coisas são mais doloridas do que sufocar a paixão por não ser correspondida. Fica aquela coisa dentro do peito louca pra escapar, aquele grito querendo gritar, aquele abraço querendo abraçar, aquele beijo querendo infinitamente beijar... É algo que no início não dá pra controlar, não dá pra sufocar, não dá pra fingir que não existiu.
A paixão não aceita ser outra coisa, e também não sabe abrandar, ou existe e se apodera totalmente da gente ou simplesmente num belo dia, se foi. É devastadora! Quando a gente se apaixona tudo se torna a outra pessoa, cada segundo do dia é pensando no outro, você se arruma pra ele, tudo o que vê faz se lembrar dele, entrega o coração, a alma e a vida naquelas mãos. E daí se o outro não está pronto pra segurar isso tudo? E daí se simplesmente não quer? A paixão é risco, e ter que conviver com as consequências desse risco pode ser destruidor.
Já o amor nada tem de loucura. Enquanto a paixão é aquela chama consumindo tudo, o amor é como aquela tarde de outono, de sol ameno, céu azul e uma brisa gostosa e calma. Vai chegando aos poucos, e aumentando com o tempo de uma forma que nos permite a adaptação. Diferente do que se diz por aí, o amor não é cego, a paixão sim! Quando se ama, o outro não é perfeito, porque nós também não somos. O amor não esconde as fragilidades de cada um, não faz com que você ignore na outra pessoa coisas que ainda precisam amadurecer, e que você sabe que com o tempo irão. A paixão nos cega pra tudo, e quando aquele por quem você se apaixonou decide que “não dá mais”, parece que aqueles “defeitos” caem numa avalanche na nossa frente. Você para pra pensar em “como não viu isso antes... como não notou que nunca daria certo?” Quando a paixão era só paixão, você descobre um estranho naquele a quem julgava conhecer tão bem.

É por isso que sei, ainda te amo, mas não... não quero estar novamente apaixonada. O período de recuperação foi o mais doloroso de toda minha vida. Esperar para que a paixão se esgotasse totalmente foi uma eternidade de lágrimas. Mas, que bom que além da paixão, havia amor. E quando a nuvem dela que encobria meus olhos se afastou, tudo ficou mais fácil. Quando só o amor ficou eu pude entender... e o mais importante, aceitar. Eu deixei de procurar o que tinha feito de errado e de me culpar por mais um fracasso. Então, o amor, que diferente da paixão, aceita a transformação, tornou-se um carinho gostoso e fácil de carregar. Assim, meu coração era novamente meu, ainda que levando muito de você aqui dentro, e minha vida era toda minha, permitindo que eu escolhesse quando e onde colocar você nela. O amor me deu orgulho pra não pedir o que você não pode me oferecer, me ensinou a ser “viva” mesmo com sua total ausência em momentos que eu tanto precisaria dela. O amor me fez forte e totalmente consciente. É fácil te amar, e também é fácil se apaixonar por você. O amor me deu cuidado pra que isso não aconteça, e quando algo diferente ameaça chegar por aqui, o amor dispara um sinal de alerta, me fornece a calma que preciso para colocar tudo de volta ao lugar. Enquanto houver amor aqui dentro, eu sei que a paixão não vai me enlouquecer novamente. Sei que falando assim parece fácil, mas não é! É difícil não deixar a paixão chegar nos momentos em que você tem umas crises de homem maduro e protetor... ou quando em suas molecagens me faz rir. É difícil quando à noite, a paixão sussurra em meu ouvido que preciso ouvir sua voz, ou quando algo acontece e ela se aproxima pra dizer que preciso lhe falar... Ela fica à espreita sempre, aguardando um momento de vacilo... mas eu sei, não posso... e não permitirei. O amor, esse cultivarei com carinho em meu coração, e enquanto ele aqui morar, ficarei com sua serenidade. Com o tempo a gente descobre que razão e emoção não são contrapontos, a gente percebe que dá pra amar com razão, e que é possível ser racional ainda que se ame! E eu... eu te amo com todo o cuidado e a racionalidade que tenho aprendido a usar... Um amor que é passível de controle, e que portanto, só há de fazer bem... 

domingo, 3 de maio de 2015

Primeiro dia de uma vida sem você

O telefone tocou no mesmo criado mudo cor de marfim da casa de meu pai. As duas camas de solteiro no quarto espaçoso. A cortina marrom com as singelas imagens de uma garota. Minha mãe já de pé organizando a casa, enquanto eu, sonolenta, me enroscava ainda mais nas cobertas. “Telefone... pra você.” O sorriso brotava em meu rosto amanhecido... era ele! O seu bom dia me fazia estremecer, meu coração saltava e eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo. Sempre vinha algo do tipo “Anda sua preguiçosa, levanta dessa cama e vem pra escola!” É algo tão presente pra mim que às vezes parece que o telefone vai tocar novamente e eu poderei ouvi-lo... e ainda que na realidade isso não ocorra, as lembranças são tão vivas dentro de mim que chego a ouvir perfeitamente sua voz. E então, por mais que o sono tentasse me dominar, ele sempre perdia. Eu saía da cama com aquele sorriso bobo, cantarolando “amor da minha vida... daqui até a eternidade...”, me arrumava rapidamente e seguia até o “nosso lugar”. Eu ainda sinto seus cabelos entre meus dedos... o gosto dos seus beijos, o calor de seus abraços... eu ainda sou louca por ele... completamente! E... eu o amo tanto...
Sete meses... e foi com essa imagem que amanheci.
Como o tempo passa rápido! Hoje faz sete meses que o “Nossa, quanto tempo...” brilhou à 1h18 da madrugada de uma sexta, na tela do meu note. Depois de 16 anos esperando por algum contato, uma notícia, um “oi”, aconteceu! Aquela chama que nunca deixou de trepidar em mim se tornou um incêndio incontrolável. Não sei precisar o quanto isso foi bom... ou ruim. Foi bom ouvi-lo novamente, revê-lo e ainda uma vez ter seus lábios nos meus. Mas a dor da impossibilidade também voltou com tudo. Meus dias não possuem mais sentido algum, não tenho vontade fazer absolutamente nada, me sinto completamente perdida! Sei... não dá pra continuar assim porque viver se tornou um martírio. Não posso passar os dias olhando as fotos dele e esperando que o destino ou a vida decida ser “boazinha” comigo e transforme meu conto de fadas em realidade. Não posso continuar chorando todas as noites no silêncio do meu quarto. Preciso parar com a mania doentia de dirigir até nosso lugar e ficar ali, olhando pro nada, revivendo momentos que nunca mais voltarão. Não posso nutrir essa esperança porque não há esperança alguma pra mim... pra nós! Tenho que tomar novamente as rédeas da minha vida e seguir por novos caminhos, novos objetivos. Eu preciso encontrar razões que me tragam vontade de amanhecer a cada dia. Não, eu não sei como... mas essa não é a primeira vez que tudo se desmorona... aliás já devo ter título de “doutor” em reconstruções.
Comecei esse texto com um sentimento de saudade, de amor profundo, mas agora uma revolta me invadiu e eu não consigo deixar de sentir raiva de tudo... do mundo, da vida, desse tal destino, de mim! Eu só queria poder viver esse amor, e é difícil aceitar que seja algo impossível. É ainda mais difícil ter que dizer adeus, mas é a única opção... Sete meses... mais alguns dias e também serão do nosso encontro real, daquele beijo que revivo todos os dias, da vontade de pedir pra que ele não fosse...
Espero começar uma nova contagem a partir daqui... vou tentar viver! A vida tem me oferecido tantas coisas e só consigo dizer não e pedir por ele... Não dá pra ser assim. Não posso escolhê-lo já que eu não sou a escolha dele! Não dá mais pra viver com a presença constante da sua ausência doendo em mim. Preciso juntar meus cacos novamente e afastar suas raízes tão fixas em meu coração... Tenho que me curar desse vício... transformar esse amor em algo que não seja tão destrutivo.
Com lágrimas despencando de meus olhos e o coração sangrando, eu começo... “primeiro dia de uma vida sem você”...
Adeus!

Dia 1... 

domingo, 19 de abril de 2015

É tarde

Te amar foi tentativa de suicídio! Como me jogar de um precipício sabendo dos riscos e, ainda assim, saltando com “a cara, coragem e o coração”. Eu quis ser especial pra você, eu quis que você também me amasse. Coloquei em suas mãos um coração em que a cola acabara de secar e colar os cacos, com algumas cicatrizes, mas inteiro novamente e pra você! Também coloquei você em meus dias ocupando posição de destaque, rei soberano! Eu te dei tudo o que tinha de mais precioso: meu amor há tanto guardado, sem medir as consequências, sem pensar nos riscos... eu simplesmente te amei. Acontece que você não quis meu amor... acontece que você tinha sonhos e eu não estava neles. Então você fez a sua escolha, e de acordo com ela eu fui obrigada a fazer as minhas. A dor que a sua ausência me causou tornou-me outra pessoa. Eu aprendi a pensar e a dominar a até então para mim desconhecida arte de controlar sentimentos. É... você me tornou racional!
Oras! Não venha agora me pedir o que você matou em mim, não venha querer o amor que você recusou. Não deseje a outra, pois ela não foi suficiente pra você! Não aja como se as coisas fossem como um dia já foram. Sinto muito, não há volta! Se pra você foi tudo muito fácil, não me envergonho em dizer que para mim não foi. Não pense que eu vá fazer a loucura de entregar em suas mãos inexperientes um coração novamente inteiro. Não queira ocupar um espaço que foi totalmente seu, e do qual você se ausentou por vontade própria. Não quero novos riscos, não quero “tentar outra vez”, não quero sentir de novo um amor que você não está pronto para receber. Eu não quero e não vou! Ainda que algumas vezes meu coração derrape, e eu precise parar para voltar à estrada, para seguir o caminho que eu defini... eu irei parar quantas vezes forem necessárias, mas não vou errar outra vez!

Sobre nós, outra vez... é tarde!

sábado, 21 de março de 2015

Mais uma carta de amor

Oi querido! Espero que esteja tudo bem por aí. Eu estou tentando, mas é tão difícil! Ainda que o trabalho tenha me consumido, a sua imagem sempre surge, as lembranças não me abandonam e eu me sinto despencando interminavelmente de um abismo. São 14 horas de uma terça qualquer. Enquanto os alunos realizam uma avaliação, estou aqui lhe escrevendo. Terminei nesse instante a leitura de um belíssimo livro. Com um nó na garganta e disfarçando as lágrimas durante cada linha, fui refletindo sobre a história que tanto mexeu comigo. O livro “O diário de Suzana para Nicolas” apresenta em cada página o amor... o amor sublime, real, de entrega, troca, e como a vida às vezes nos surpreende. Fala sobre demonstrar sentimentos, valorizar o que realmente é importante, antes que seja tarde. Senti tanta vontade de falar com você... Abri a tela do app de mensagens, sua foto ali em cima, a mesma que eu beijo delicadamente todas as noites. Eu só queria dizer tudo isso que sinto, porque não sei até quando vou aguentar carregar tanta coisa. Não esperaria por sua resposta, já me acostumei com seu silêncio, mas como relatou o livro, nunca se sabe do dia de amanhã. Talvez por algum acaso do destino essa carta cruze seu caminho, talvez você nunca a leia, mas ela guardará o pouco que eu conseguir expressar através das palavras, porque tenho certeza de que será uma pequena parte de tudo o que eu sinto.
Eu já disse isso, mas gostaria de repetir... Você é o homem mais especial que conheci, e você foi injusto comigo em aparecer quando eu estava começando a viver e a desvendar o mundo, foi crueldade que aos 17 anos eu encontrasse o meu príncipe e que ele não pudesse viver o “para sempre” comigo. Eu conheci muitas pessoas, muitos lugares, me tornei bem diferente daquela adolescente, mas o vazio que você deixou me acompanha por cada dia, em cada momento. Estudei, me empenhei em ser uma boa profissional, me mudei, e até me casei, mas nunca foi como era com você.
Eu senti (e ainda sinto) falta dos seus olhos lindos, da sua boca perfeitamente desenhada, de lábios macios que me presenteavam com os beijos mais deliciosos. Senti falta da sua pele quente, de me sentar em seu colo, enroscada em seus braços. Senti falta da sua voz. Senti tanta falta da forma como você olhava pra mim e me fazia pensar que sempre estaria ali, ao meu lado. Senti falta de ficar observando as pulseiras no seu braço esquerdo. Senti falta de como você cuidava de mim. Depois que você partiu, eu cuidei de tantas pessoas... mas nunca houve reciprocidade e cheguei ao ponto de desaprender a ser cuidada. Foi um susto quando alguém me disse isso e mais ainda quando refleti e notei que era verdade, eu não me permitia (e ainda não me permito) ser cuidada, mas eu seria a pessoa mais feliz do mundo se recebesse seus cuidados mais uma vez e se também pudesse cuidar de você. Sinto falta de como eu era feliz com você, como me sentia completa.
A sua ausência dói de uma maneira que nem sou capaz de explicar. Às vezes meu coração se acalma e quase deixa você guardado no espaço das boas recordações, mas então você não aceita ficar lá e toma conta de tudo novamente. Há alguns dias que penso em você o tempo todo... há alguns dias que a saudade me faz chorar... há alguns dias me sinto totalmente perdida no mundo. Em cada um desses dias eu quis lhe falar. Em todos eles, quando entrei no carro pela manhã, meu desejo era ir até você, dar um jeito de te encontrar, fingir um acaso ou só estar próxima pra te observar, te ver mais uma vez, sussurrar um adeus... e mais nada. Tenho coragem pra tantas coisas, mas não pra isso. Não acho correto impor minha presença sem que seja desejada.
Apesar de tudo, de ter bem clara toda a situação, de saber de toda a impossibilidade de estar com você novamente, eu não consigo deixar de ter esperança. É tão piegas, mas imagino uma mensagem chegando... nela você diz que me espera no “nosso lugar”. Com o coração disparado e um sorriso no rosto, vou o mais rápido que posso. E você está lá, debaixo das mesmas árvores... todas permanecem iguais, talvez também esperando por esse dia. Você, com os mesmos olhos intensos, o sorriso doce... como é difícil escrever isso, impossível não ter as lágrimas saltando dos meus olhos... Então, passos apressados, vou até você e me jogo em seus braços como nos filmes em que as personagens se reencontram após um longo tempo distantes. Como eu desejo isso, como não precisaria de mais nada para ser completamente feliz. Esse é o meu pedido de todas as noites, ainda que meu lado racional me mande deixar de besteira, esquecer o passado pra conseguir viver novamente. Mas eu ainda não descobri a fórmula para o esquecimento, e mesmo que a tivesse, preferiria conviver com a tristeza frequente de não ter você ao meu lado, do que esquecer as lembranças dos melhores momentos que tive, e que foram com você.
Eu quero que você saiba que aquele amor adolescente não foi “brincadeira de criança”, que ele resistiu ao tempo bem fixo e forte no meu coração. Que eu nunca deixei de pensar em você, e guardei com grande carinho e enorme saudade, sua foto num porta retratos que sempre está ao meu alcance. Saiba ainda que eu te amo muito... tanto que chega a doer, e que eu faria qualquer coisa para te reencontrar e dizer isso olhando nos seus olhos. Eu queria que fosse possível... que fosse possível te encontrar novamente, falar que te amo e que é real e tão intenso... Que fosse possível te amar não aqui, longe e em segredo... que esse abstrato um dia se tornasse concreto... ah, como eu queria! Se um dia você também quiser, bom, você já sabe, eu ainda estarei aqui.

Você é meu amor pra toda vida!

domingo, 15 de março de 2015

Carta para a esposa do meu primeiro e único amor

Eu sinto uma baita inveja de você! Daria a vida que me resta pra tomar seu lugar por um dia e uma noite. Ah, eu sei, eu seria a mulher mais feliz do mundo ao abrir os olhos pela manhã e admirar ele dormindo. Sairia na ponta dos pés pra preparar o café e voltaria pra acordá-lo com um beijo de bom dia. O café teria que esperar por um tempo, para que a gente se amasse e assim o dia começasse da melhor maneira possível. A gente sairia junto pro trabalho, depois de uma farra rápida com os cães e algumas risadas gostosas em que eu ficaria admirando aquele sorriso lindo que ele tem, e o jeito como seus olhos brilham nesses momentos. Nos abraçaríamos, e eu sei que iria me doer deixar os braços dele, nos beijaríamos e também não seria fácil me ausentar daqueles lábios macios. Eu observaria ele se afastar no carro, mas ainda permaneceria um tempo parada, pensando em “como amo esse homem” e em como “sou feliz por tê-lo comigo”. Então, pegaria o celular pra mandar uma breve mensagem de “já estou com saudades”, sem esperar ou me importar com a resposta... eu só gostaria que ele nunca duvidasse do meu amor.
Almoçaríamos juntos e eu mergulharia em seu mundo, atenta a tudo o que ele me contaria que acontecera naquela manhã. Talvez ele me perguntasse sobre como foi a minha também, mas eu responderia um rápido “foi tudo bem, igual sempre”, só pra poder ouvi-lo falar mais. Sabe, eu amo a voz dele, tão calma sempre... Você tem sorte em tê-la bailando em seus ouvidos. Não sei se alguma vez ele cantou pra você, mas eu... sem dúvida pediria que sussurrasse canções pra mim! Voltaríamos ao trabalho e no meio da tarde, lhe enviaria uma daquelas mensagens provocantes e a gente se divertiria escrevendo umas bobeirinhas um para o outro. Eu sairia do trabalho primeiro e correria pra casa pra preparar uma noite bem gostosa. Uma comidinha especial, um vinho, quem sabe, algumas músicas... Ele chegaria com aquele jeito cansado, e sempre irritado ou preocupado com algo pra resolver. Então, eu poderia por em prática os vários cursos de massagem que fiz, até que ele estivesse com cada músculo relaxado e uma carinha de quase sono. Ele tomaria um banho e eu colocaria a mesa. Conversaríamos algumas banalidades e depois de tudo organizado, eu me sentaria em seu colo pra também receber seu carinho. Poderia sentir aquelas mãos suaves em minha pele... você as tem ao seu alcance todos os dias... Iríamos pra cama, pro aconchego do nosso quarto, onde as paredes guardariam carícias, desejo, amor!

Talvez você não saiba, talvez não tenha vivido coisas suficientes pra notar a joia rara que possui. Eu lhe digo que não há no mundo homem como o seu! Ele é lindo em todos os sentidos! A vida não me deu o presente de tê-lo comigo, mas me permitiu ao menos alguns momentos de plena felicidade que ele me proporcionou e que se tornaram inesquecíveis. Se não fui merecedora de tanto, e você sim, faça-o feliz e seja feliz com ele! Ele é companheiro como ninguém mais sabe ser, carinhoso, atencioso e de um caráter inquestionável. Eu ofereceria o que tenho em troca de alguns momentos com ele, então não desperdice todos os que você possui com besteiras! Você o tem ao seu lado, aproveite com ele as coisas simples e realmente valiosas da vida, vá ao cinema pra curtir um filme de mãos dadas, saia pra um passeio por aí pelo puro prazer de desfrutar da companhia um do outro. Viaje com ele... o mundo é enorme e viagens são presentes que duram para sempre, nada é mais especial que descobrir novos lugares na companhia de alguém que nos faz bem. Admire o por do sol na praia com a cabeça em seu ombro, dedos entrelaçados, caminhe pela serra numa manhã de outono, a paisagem é incrível. Dance tango, ou tente e caia na risada por “pagar o maior mico” nas ruas cheias de charme da Argentina, observe-o nos vales do Peru, e aproveite pra sentir a paz espiritual daquele lugar, vocês se sentirão renovados e ainda mais unidos. Viva com ele, não deixe a vida simplesmente passar! Ele te escolheu... sinta-se a mulher mais feliz por isso... eu em seu lugar, me sentiria. Ele é um homem pra se ter por toda uma vida, e claro que sofro por não ser eu quem irá partilhar com ele esse tempo, você é o amor que ele encontrou, ele é o seu... Não deixe a rotina ou as pressões sociais calarem o que há em seu coração e que é realmente o que importa. Não deixe de oferecer a ele seu amor, porque sei que também receberá, e demonstre isso com atitudes e também dizendo que o ama... eu tenho esse desejo todos os dias... Faça por mim, e faça mais ainda por você. Vá até ele agora, mire seus olhinhos pequenos e profundos, e sussurre com o coração aberto que o ama. Quando fizer isso, sinta o privilégio que recebeu, saiba que você também deve ser uma mulher incrível por tê-lo conquistado e mais ainda, por terem permanecido juntos nesse mundo de desencontros. Não o perca, não se percam! Eu lhe garanto, você não encontrará outro alguém que seja tão incrível... eu procurei por longos anos, ainda procuro... mas sei que “alguém assim não há”! 

Odeio que você seja só uma lembrança...

Eu odeio estar aqui, em plena noite de sábado, refugiada no banho, deixando as lágrimas correrem com a água e toda essa dor que sua falta ma traz. Eu odeio que você tenha me abalado tanto! Odeio como todas as pessoas agora parecem sem graça e a mania que tenho de procurar seu rosto por aí. Odeio notar traços seus em alguém... ou alguma outra coincidência, porque eu deixo de enxergar o resto, numa fixação louca de algo de você. Odeio querer ouvir sua voz, melodicamente no mesmo tom sempre. Odeio... e muito, essa vontade de mirar seus olhos pequenos, tão cheios de vida, segredos, anseios... Eu odeio que você seja esse homem incrível... Sabe, eu não conheci muitos “homens”, na verdade, nunca encontrei alguém que fosse uma pontinha do que você é! Odeio que você seja meu ponto de comparação, é injusto demais! Sei que, passe o tempo que passar, ninguém irá te superar, o pódio é seu! Odeio que você tenha me proporcionado tanta felicidade nas coisas mais simples. Odeio o fato de que você estava sempre lá, e agora, ainda que eu esteja no nosso lugar todas as manhãs, a calçada está vazia. Odeio me sentar ali sem você e levantar meus olhos molhados de lágrimas para as árvores que permaneceram, intocáveis, assim como esse amor que mora em mim. Odeio me jogar na cama com suas fotos antigas nas mãos e as recentes na tela do celular. Odeio a mania ridícula e clichê de conversar com suas imagens como se um dia você fosse sair dali e me responder. Sabe... você tem o pulso mais lindo que já vi, e odeio ter desenvolvido o fetiche de observar pulsos... o seu é imbatível! Odeio todas essas boas lembranças, sem que exista ao menos uma ruim pra que eu me agarre e sinta raiva de você! Odeio que tudo tenha sido tão bom... odeio sua perfeição! Odeio não ter uma carta sua, adoro letras! E ainda que não a tenha no papel, ela está bem nítida em minha memória. Odeio essa vontade doída de te abraçar e acho que se um dia isso acontecesse, eu morreria dentro dos seus braços, por medo de me afastar e ver você indo embora outra vez. Odeio ter sentido seus lábios nos meus uma última vez... ainda que eu passasse a vida escrevendo, não seria capaz de externar o quanto aquele momento foi especial pra mim, como o mundo parou e o relógio voltou no tempo... em quando ainda podíamos nos dar todos os beijos que quiséssemos. Odeio querer muitos outros beijos teus... até que essa vida termine! Odeio as orquídeas que estão ali fora, floridas, tão vibrantes... acho que você adoraria! Odeio meus queridos peixes... eles ainda estão aqui porque como você disse, o segredo é não matá-los de tanto comer. Eles sabem de tudo, conversamos muito... bom, na verdade eu falo, enquanto eles ficam com esses olhinhos negros me observando. Odeio o fato de não nos falarmos mais... e odeio saber que isso nunca deveria ter acontecido. Odeio não ser dessas loucas que fazem escândalos em busca de atenção... eu nunca faria algo que lhe causasse mal. Odeio como esse nó se apodera da minha garganta, e essa vontade de lhe dizer tudo que sinto me tira do eixo. Odeio estar aqui escrevendo todas essas coisas, odeio esse amor, odeio te amar!  

Daqui a 50 anos eu ainda vou lembrar seu nome, e como você me fez ser tão feliz... 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

E assim você me perdeu...

E assim você foi me perdendo... tanta coisa se esvaindo aos poucos, por cada dia.
Primeiro foi a paixão, que eu arranquei de dentro de mim depois do seu discurso ridículo de que “eu merecia alguém melhor”. Acontece que, naquele momento, você era tudo pra mim, era o melhor, tinha feito com que eu abrisse novamente as portas do meu coração. Mas em sua fraqueza, você achou mais fácil colocar um ponto final do que lutar ao meu lado por um “nós”, sua covardia frente à vida e à dura realidade de que eu precisava de você também, e não apenas você de mim, trouxe o fim. Meses de um sofrimento indescritível, e então a necessidade desesperada por você diminuiu até quase desaparecer.
O amor... acho que um pouco dele ainda permaneceu, afinal não se deixa de amar assim de repente. Carinho... uma réstia de desejo. Mas você não se preocupou em preservar nada disso. Minha função na sua vida nunca esteve tão clara. Eu sou a mulher madura que cala as próprias dores para ouvir as suas inseguranças. A que está sempre disponível com um discurso de autoestima preparado para cada situação. A droga que relaxa e acalma. O vício para o qual você corre quando acha que as coisas não vão bem. Eu sou o corpo que te satisfaz... apenas corpo e nada mais. E quando isso não é possível, eu não tenho qualquer importância na sua vida.
Com isso você perdeu todo o resto que sobrou de bom, alguma chama que ainda trepidava dentro de mim. A sua frieza soprou tão forte que apagou tudo.
Hoje olhei para as cinzas do que um dia existiu... não doeu em mim, não agora, nada mais dói. Eu aprendi com você, sei fazer igual, sei seguir o seu exemplo. Dessa vez o sopro foi meu, não quero seus restos em mim quando eu posso ter muito mais que isso. Não... eu não aceito as suas migalhas, obrigada!

Não há mais nada... e eu sorri. A realidade às vezes dói por um tempo, mas nada é tão libertador! E sabe querido... eu ainda tenho tanto pra voar... 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O privilégio de te amar

Ahhhh... esses dias de férias, sem muito o que fazer, com tempo de sobra pra pensar... pensar em você! E eu que achei que o vento havia soprado as lembranças, principalmente as recentes, e que o sol de verão traria novidades. Nada disso. Bastaram algumas horas no vazio que tudo voltou novamente. Eu que havia guardado o seu número, nossas conversas, tudo bem escondido de mim, não resisti às muitas tentações de olhar, reler, sofrer... E não uma vez ou outra, mas várias, durante cada dia, cada hora, cada minuto...
Talvez essa coisa da esperança de um novo ano também tenha mexido comigo... Mas os números mudaram e a mágica não aconteceu. Tudo permanece igual e a mudança que eu desejo provavelmente nunca acontecerá.
Não sei o porquê dessa minha mania de achar que com você seria diferente. Esse martírio de imaginar momentos ao seu lado, de viver essa felicidade sonhada e algumas vezes quase acreditar que “quem sabe um dia...”
Minha mente me leva de volta àquela segunda... eu posso te ouvir, te ver... Mas você precisa ir e eu não tenho o direito de fazer o que meu coração manda... me contenho enquanto ele grita pra que eu não te deixe sair do carro, pra que eu diga todas as palavras que explodem dentro de mim, pra que eu te peça que não deixe isso acontecer novamente. Mas eu não faço... E então temos mais um fim, sem ponto final. Um fim cheio de expectativas... esperança... um fim que pede pra não terminar assim. E sem dúvida é ainda pior... dói um pouco cada dia, sem previsão pra parar. Eu preferiria um daqueles finais que realmente acabam “foi um erro, não vai acontecer nunca mais”, e então a palavra que sela e encerra aquele ciclo “adeus!” Depois disso, lágrimas, sofrimento, e passado um tempo... não há mais nada realmente. Vivi muitos finais reais, sobrevivi a todos... sobreviveria ao seu também... mas a falta desse adeus tem acabado comigo.
Eu sei que... sou uma louca!!! Que sentido faz alimentar um sentimento por tantos anos?!!! Viver esperando por algo que... não... não vai acontecer... Mas, com você foi tão especial, inesquecível... mágico... Eu tenho certeza que você me faria feliz, de uma forma que nunca mais fui desde quando ainda estava em seus braços.
Bom... eu só queria te dizer que... espero que tudo esteja bem, que pra você o novo ano traga coisas novas e maravilhosas, e que você esteja e seja feliz... muito feliz... adoro seus olhos sorrindo!

Ainda que os caminhos sejam distintos, opostos, não sigam em paralelo... ainda que a vida ou esse tal “destino” se encarregue da separação... alguns amores são um privilégio. Às vezes nos é permitido vivê-los por tão pouco tempo, mas ficam pra sempre eternizados em boas lembranças, gravados feito tatuagem no coração... te amar foi um presente pra toda a vida... Obrigada!