A vida me obrigou a ser forte! Com meu
castelo de pé e meu jardim florido, primeiro ela arrancou cada flor e, num
vento, derrubou o castelo que nem eu sabia, era de areia. Olhei meu mundo e só
havia um gigante nada preenchido por uma sensação de fracasso e frustração. Eu
não fora capaz... eu também era um nada, alguém que eu não reconhecia, que eu
não gostava, que eu não queria. Mas a vida seguia sem nem ligar pra minha dor,
não havia a opção de “dar um tempo”, de chorar até que as lágrimas limpassem
aquela coisa escura e ruim impregnada em mim. É, eu não tinha esse tempo. Então
segui a caminhada, comecei a replantar as flores e mais uma vez, sem dó ela
arrancou cada uma. Novamente cuidei do solo e me demorei bem mais nesse
cuidado. Depois de um bom tempo comecei a pensar nas sementes... eu precisava
de flores fortes mas ainda assim sensíveis. Escolher as sementes é a ação que
irá refletir em todo o jardim, e a gente muitas vezes erra por não observar bem
cada flor. Com a planta já crescendo, descobrimos que não era adequada pro
nosso jardim... e, como dói pra arrancá-la, deixamos que fique ali, fingindo
que é uma linda flor.
Ver
nosso mundo ruir e ter que reconstruir tudo do zero com certeza nos faz forte e
maduros, mas também nos deixa inegavelmente inseguros. Eu passei a duvidar de
todas as minhas escolhas. Meus momentos de confiança são abalados pelas coisas
mais insignificantes. Tenho medo o tempo todo, ainda que ninguém saiba, que
ninguém possa acreditar que dentro dessa casca cheia de segurança, habitam os
mais assombrosos receios. Ainda estou trabalhando no meu solo e mesmo que
acredite por alguns momentos já ter a semente, eu não sei se algum dia serei
realmente capaz de reconstruir o jardim pelo simples fato do medo absurdo de
vê-lo outra vez ser destruído. Ora... mas que besteira perder o perfume
maravilhoso das flores pelo medo de experimentar esse agradável momento mas
perdê-lo novamente depois, que absurdo se privar da vida por medo de um
sofrimentozinho aqui ou ali!!! Eu concordo absolutamente e talvez um dia seja
capaz de controlar esses medos todos, porque por enquanto eu ainda não consigo!
Por enquanto eu ainda tenho medo de viver, ainda não sou capaz de confiar no
meu coração, nas minhas escolhas, nos caminhos que decido seguir. Ainda não sou
capaz de crer que meus planos para o futuro durem mais que alguns meses. Eu não
consigo deixar de me culpar e me achar toda errada, de pensar que preciso mudar
mas que isso também me parece impossível. Eu não consigo abandonar meus
exageros, essa mania velada de procurar algumas aprovações. Não consigo
abandonar a ideia constante de que estou errando mais uma vez. Eu simplesmente
não consigo...
