segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A outra - Clarissa Corrêa

Um dia seus olhares se cruzam. Você sente uma coisa que nunca sentiu. Seu coração acelera. Seu corpo arrepia. Seu olhar ilumina. Sua boca fica seca. Sua barriga sente um frio interminável. Borboletas dançam uma dança bonita no seu estômago. O mundo de repente para por um segundo. E você pensa oi, sorte.
Um dia sua boca encontra a dele. Seu corpo encontra abrigo. Sua mão acha a metade da laranja. Seu coração estremece. Não existe língua mais macia, braços mais seguros, pescoço mais cheiroso, voz mais deliciosa. Não existe nada igual. Você se sente linda, poderosa, nas nuvens. Você se sente como n-u-n-c-a sentiu. Ele pede seu telefone, você dá. E vocês marcam mais encontros e encontros. Ele pede um beijo, você dá. Ele pede atenção, você dá. Ele pede um sorriso, você dá. Você dá, você dá, você dá.
Um dia ele te deixa esperando feito pateta. Outro dia ele te deixa esperando feito pateta. Outro dia ele te deixa esperando feito pateta. Esses dias se repetem e você pensa cadê o começo de tudo? Cadê aquele gentil, amoroso, carinhoso, cadê aqueles olhos que me olhavam fundo? Então, ele não te deixa mais esperando e você pensa ufa, era uma fase. Até que ele volta a te deixar no pause. E você pensa tem algo errado ou é impressão minha? Você pressiona e ele diz sou casado, tenho namorada, tenho noiva, tenho uma ficante, tenho uma ex-mulher, tenho uma amante, tenho algum rolo, tenho alguma coisa. Em outras palavras: ele não é livre pra você.
Um dia você descobre as causas de tantas mentiras. De ter ficado esperando tantas vezes ao lado do telefone. E você junta uma coisa na outra: claro, era por isso que de vez em quando o celular ficava desligado, era por isso que eu não tinha o telefone da casa dele, era por isso que eu não sabia onde ele trabalhava exatamente, era por isso que nos finais de semana eu ficava sozinha e infeliz.
Um dia ele te conta tudo. Que o casamento vai mal. Que a namorada não trepa mais. Que a ficante pintou o cabelo de preto e ele se amarra em uma loira igual a você. Que ele só está com ela porque as crianças são pequenas. Que ele está esperando o divórcio sair. Que ela não trabalha e não tem dinheiro. Que ela não tem onde morar. Que as coisas estão mal. Que ele está com ela por pena. Que o pai dela é o chefe dele e ele precisa desesperadamente daquele emprego.
Um dia você fica sabendo onde ele mora. O telefone da casa e do escritório, o nome da mulher e das crianças. O presente que ele ganhou de casamento. O número que ela calça. E você vê as fotos. E você descobre as coisas. E você mobiliza as amigas detetives de plantão e levanta toda a ficha da outra, que no caso, é a mulher dele.
Um dia você decide que não quer mais essa vida. Que ele não vale um centavo. Que se quisesse mesmo separar já tinha separado. Que não dá pra esperar por quem não vem. Que ele não te valoriza. Que só quer sexo. Que só quer te contar os problemas. Que te usa como fuga. Que não passa o natal com você. Que seu ano novo foi triste e você nunca mais quer repetir essa dose. Que ele é um cretino.
Um dia você volta atrás. Ele te convence. Chora. Te pega de jeito. E você lembra que ninguém beija como ele, que ninguém abraça como ele, ninguém olha como ele, ninguém ri como ele, ninguém te come como ele, ninguém te enlouquece como ele. E você decide que ele é o homem da sua vida, afinal, se já sofreu tanto, se envolveu tanto, se ferrou tanto, meu Deus do céu, tem uma coisa muito boa guardada pra mim. Ninguém sofre tanto assim sem recompensa. Se vocês já passaram por tanta coisa juntos é porque o final vai ser feliz.
Um dia você reflete e analisa toda a história. Ninguém entra na vida do outro por acaso. Tudo tem motivo, a gente aprende com cada acontecimento. E você acredita de verdade que ele é o seu amor. E que ele um dia vai ser só seu. E que os finais de semana nunca mais serão solitários. E que seu amor não vai se resumir a duas ou três horas duas ou três vezes por semana. Que sua vida amorosa não vai se resumir a estar falando no telefone com ele e de repente ouvir um tu-tu-tu. Ele não vai mais precisar se esconder pra falar com você. Vocês vão poder sair de mãos dadas no meio da rua. Vão poder se abraçar. Ter filhos. Casar. Você vai poder viver esse amor com todas as forças. Você, que sonha com isso diariamente, vai poder ter uma casa com ele. Você sente lá no fundo do seu peito que ele é, mesmo, o homem certo.
Um dia você cansa das mentiras. E decide terminar de novo. E o tempo passa. Você bebe, fala mal do amor, se entope de carboidrato e chocolate, atormenta amigos gays dizendo que na próxima vida vai ser lésbica. E chora e decide ligar de um número desconhecido só pra ouvir a voz dele bem rapidinho, pois bateu saudade. E ouve e se derrete. E decide só passar bem rapidinho pela frente da casa dele pra ver se, por acaso, algo acontece. E bem na hora você vê ele saindo de casa bem abraçado com a mulher e de mãozinha dada com o filhote mais velho. E seu mundo se rasga. E você decide que é uma boa hora pra morrer.  Mas como você ama ele, perdoa. Volta atrás, apaga com uma borracha os momentos ruins, conversa com ele e os dois decidem começar do zero. Novas promessas, novos horizontes, novos planos. E você acredita e fica nesse círculo vicioso. Até que.
Um dia o tempo passa. E você se dá conta de que nunca vai ter de volta o tempo que perdeu com essa pessoa que, no fundo, nunca te quis.

Em : www.clarissacorrea.com.br

domingo, 29 de setembro de 2013

Te esperando...

         Quando a saudade deixou de ser apenas por conta da distância física, dos poucos quilômetros que nos separavam, e passou a ser também por conta da sua total ausência, por falta das suas mensagens, do seu “bom dia” e das respostas ao meu “bom dia” e às tantas declarações sutis de amor que eu ainda insistia em mandar... nesse momento eu tive a certeza de que estava realmente apaixonada, de que não era uma ilusão tola, uma brincadeira, apesar de nunca ter tratado a situação dessa forma. Eu estava tomada pelo amor. Em mim só havia você!
         E então, de repente, eu me vi perdida no mundo. Eu passei a me sentir só, uma solidão tão profunda, tão doída...
         Agora, eu abro os olhos de manhã e não quero me levantar, não quero enfrentar mais um dia sem você, convivendo com sua ausência, brigando com meus sentimentos, com minhas lágrimas. Não quero passar o dia e a noite checando o celular a cada segundo para ver se não há uma mensagem sua, perdida por ali, e quando não há, o que atualmente acontece em todas as vezes, eu insisto em acreditar que “esse celular está com problema”, ou “a operadora está sem serviço”, eu tento me enganar sempre! Isso sem contar as milhares de vezes em que me pego já começando a lhe escrever, ou ainda pronta para clicar no “ok” e enviar mais e mais frases de amor e saudade escritas sobre a imagem de um casal em uma linda paisagem. E então eu me censuro, eu apago, eu “cancelo”. Permaneço ali, celular na mão, olhos marejados, coração disparado...
         Ah, você não imagina o quanto isso é realmente forte, como esse amor me invadiu, se cravou no meu coração, e como tem me machucado, aberto antigas e novas feridas. Sem contar esse medo... medo de que sua ausência seja para sempre e eu não consiga mais conviver com ela. E um medo ainda maior porque sei que estou tão envolvida, que seria capaz de tudo por você! Eu abandonaria a minha vida pra fazer parte da sua. Eu desistiria de mim, para ter um pouquinho de você. E acontece que essa não sou eu! Eu queria entender o que você fez comigo... quando me roubou de mim?! E... eu ia dizer que gostaria de voltar no tempo pra fazer tudo diferente, pra fazer com que aquele único encontro não acontecesse... mas estaria mentindo. Mesmo sabendo das consequências eu não abriria mão de estar com você, mesmo que uma única vez e mesmo que essa única vez tenha me causado todo esse sofrimento, toda essa dor, tantas lágrimas, noites em claro e o desejo insistente de não acordar amanhã, pra não viver essa angústia da espera.
         E mesmo sabendo que provavelmente não estaremos juntos outra vez, eu continuarei a esperar... por sua atenção, por suas mensagens, sua voz, seu toque... por você!

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu só queria que você soubesse...

E todos os dias eu peço pra você me deixar, sair de dentro do meu coração, abandonar os meus pensamentos, me tornar novamente vazia. Eu lutei tanto para que isso não acontecesse... mas eu perdi! Eu não estava preparada... eu não queria me apaixonar, eu precisava tanto de um longo tempo pra cuidar de mim, do meu vazio, da minha solidão. Eu precisava me amar de novo, para então amar um outro alguém.
Sabe... era pra ser como das outras vezes, só um encontro, algumas horas de diversão e depois disso, um ou outro “oi”, “bom dia!”, “td bem?”, em dias cada vez mais espaçados, até que pouco ou nada restasse na memória. Mas não... você foi se tornando mais presente a cada dia, você foi pedindo por mim, e eu fui me dando pra você, mesmo sabendo que era um grande erro. Não havia futuro para nós, não teria um amanhã com beijos, abraços e presença física. A sua história não se cruzaria mais com a minha. E mesmo sabendo de tudo isso eu fiz a grande besteira de te amar. E quando eu me entreguei totalmente à você, aos poucos você me mostrou que queria me devolver! Quando eu não imaginava mais os meus dias sem você, de repente, sem qualquer motivo, você passou a se ausentar deles. No seu lugar, as minhas lágrimas. No espaço reservado para suas mensagens, um abismo, a solidão que você havia arrancado de mim estava de volta.
E todos os dias, quando eu não te “leio”, eu perco o chão, o rumo e a vontade de enfrentar mais um dia. E todas as vezes que suas respostas não surgem, um pedaço de mim me abandona e eu já nem sei mais o que ainda resta. E essa tristeza que não escolhe a hora de doer e que me destrói sem piedade...
Eu me procuro novamente, mas em mim eu só encontro você! Eu peço...  “Me deixe! Me devolva!” Mas lá dentro, meu coração grita “Fica comigo! Eu não consigo mais sem você!”

sábado, 14 de setembro de 2013

O coração sente!!!

Diz o ditado que “o que os olhos não veem, o coração não sente”... e isso é uma mentira sem tamanho! O coração sente sim... Sente sem ver, sem tocar, sem ouvir, sente até sem sentir. Pro coração não é preciso imagem, som, cheiro, não é necessária presença física alguma. O coração ama! Ama sem razão, ama sem ver, ama quando não deve e quem não deve... ele tem essa tola mania de contrariar.
Na verdade, o que os olhos não veem, o coração sente ainda mais... sente o vazio, a saudade... Trava uma luta constante contra as lágrimas, contra a tristeza profunda e a vontade de simplesmente desaparecer. A cada dia que os olhos não veem, o coração sente doer ainda mais, e você se pergunta de onde vem tanto amor?!
Quando os olhos não veem, você tenta de todas as formas esquecer, mas por mais que eles não vejam, você já tem uma imagem gravada... na mente... no coração... na alma... E nada, absolutamente nada que você faça apaga essa imagem, nada afasta esse sentimento.
Você jura a si mesma que não vai ligar, não vai escrever, não vai pensar... e no fim você se sente exausta ao perceber que não adianta, você sempre perde! E então é conviver com a dor, a saudade... É guardar no peito tanto amor, e tentar não se sufocar, e tentar não se entregar, e simplesmente... tentar...

Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo parte dos seus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar.”
– Caio Fernando Abreu