O
mesmo dvd, mais uma vez... inundando o quarto com a batida que eu nem mesmo
gosto. Ainda não sei explicar essa fascinação que veio de repente. Das vinte e
três músicas, vinte contam histórias que de alguma forma me fazem lembrar você,
me fazem sonhar com um nós tão distante, que talvez só exista na minha cabeça,
nos meus insanos pensamentos. As frases acompanhadas pelo ritmo levam lágrimas
aos meus olhos que ainda não estão secos da última decepção, que ainda se
encontram vermelhos e cansados, mas que talvez tenham encontrado em você um
refúgio, a ilusão de um abraço forte e aconchegante, um porto seguro num
momento de tempestade. Por vezes fecho os olhos e me imagino em seus braços,
dançando juntos pela vida, passos leves, sorriso no rosto, em um belo dia de
outono, como o de hoje, o de ontem, da semana passada... desses que tem
embalado meus devaneios... alguns momentos reais de alegria, outros tantos de
espera, de dúvida... Uma vontade louca de prever o futuro, de que as horas
voem, para que eu possa descobrir o que vai acontecer... para que eu possa
viver meus sonhos, ou então aceitar que eram realmente apenas sonhos. E mais
medo, e sempre o medo... escondido em um cantinho aqui dentro, crescendo e
tomando conta de mim a cada oportunidade que surge. Sabe... aquele medo? Aquele
de outro dia, de outro texto... que eu pensei fosse forte, fosse o máximo. Não
era! Ainda havia mais, muito mais. Hoje eu senti que talvez aquilo fosse apenas
o começo e que pode existir mais. Me senti fraca para lutar com meu ‘eu
adolescente’ que insiste em dar as caras e se apoderar do meu ‘eu mulher’,
cautelosa, sensata, e com alguma bagagem de experiência nas costas. De repente
isso tudo foi embora como num sopro do vento, que não contente em levar tudo o
que eu tanto precisava, ainda trouxe uma grande dose de loucura. Eu me sinto
estranha, não me reconheço mais. Essa tamanha necessidade de falar com você,
estar próxima, ouvir sua voz. E eu que achava que não fosse mais viver isso, e
eu que pensava ter espantado todas as ‘borboletas do meu estômago’... que
engano! Estavam todas aqui em seus casulos, só esperando o momento de
despertar. E como despertaram!!! Ensandecidas... Não querem mais dormir,
ficaram por tanto tempo paralisadas e agora bailam aqui dentro o tempo todo...
E nessa confusão toda, não sei se as acompanho nesse louco bailar ou se disparo
contra elas algum veneno e acabo com tudo isso!!! É tão bom, mas (e novamente)
dá tanto medo...

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