quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mulher balzaquiana


E um belo dia você acorda balzaquiana (me diverti pensando no que aqueles que não conhecem o termo poderiam imaginar). Não tenho dúvidas que pra toda mulher é um marco! Valsa de quinze anos, habilitação aos dezoito, independência total aos 21... isso não é nada! Naquele dia em que você acordou 30, parece que iniciou uma nova vida. Primeiro pelos quilos a mais... dá a sensação de que eles estavam esperando a meia noite da virada dos 29 para os 30 para se infiltrarem... 80% claro, na barriga! Depois aquela sensação de “Quem sou eu?, Quem eu era?, No que me transformei?”
Apesar de ser a mesma diferença numérica, parece que os 20 da juventude estão muito, muito distantes, e os 40 da grande maturidade logo ali!
O lema que passa a reger as horas de uma mulher de 30 é o “foda-se!”, e a cada ano nessa dezena, ele se intensifica mais. Ciúmes doentios deixam de existir. Sair com um cara só pra fazer sexo (e não amor!) deixa de ser um total absurdo. E não ligar no dia seguinte passa a ser um alívio. Nos 30 a gente descobre que não era bem quem pensava que fosse. Que pode gostar de outras coisas e detestar o que, até então, acreditava  gostar.

Experimentar!!! Tudo... tudo o que der vontade, desde novas bebidas, comidas, companhias, músicas... São tantas vidas em uma só! Às vezes a gente até se perde, tentando se encontrar. São tantos caminhos... que vão dar em tão diferentes destinos. Mas que destino? Pra que pensar nisso? No ponto do 30, tudo é conjugado no presente, não sobra muito tempo pro passado, que quase já foi completamente esquecido... e nem pro futuro, que insiste em bater na porta, sem ninguém pra abrir.
Coisas novas chovem aos litros, muitas delas boas, outras nem tanto. Mas não há tempo para lamentações, nem vontade e paciência para perder tempo com isso.
Aos 30 o sol brilha mais, a lua é muito mais bela, as estrelas são pontos perfeitos de luz, cada nuvem parece de novo um floquinho de algodão, assim como na infância. Tudo parece tão bonito e isso provavelmente pela leveza que se passa a ter. Vestidos esvoaçantes adornam perfeitamente uma mulher de trinta, um gloss nos lábios, a redescoberta... Uma nova mulher nasce ali, ou talvez o termo adequado seja uma mulher “de verdade”, forte, decidida, sem medo de encarar a vida de frente com tudo o que ela tem pra oferecer.

É bem assim... tudo isso, ou só isso. A mulher balzaquiana é acima de tudo livre, não se permite prender, precisa bater suas asas, precisa de voos intensos. E nessa liberdade, vai realizando seus sonhos, que por tanto tempo permaneceram guardados, e vai sonhando outros... vai deixando as amarras de um casulo que se formou novamente em volta de si, vai se tornando de novo a mais colorida e bela das borboletas... E agora, vou também voar, meu casulo já se rompeu, e minhas asas pedem pelo vento, pelo azul do céu, pelo brilho do sol... Voe também... o infinito te espera!!!

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