sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

E assim você me perdeu...

E assim você foi me perdendo... tanta coisa se esvaindo aos poucos, por cada dia.
Primeiro foi a paixão, que eu arranquei de dentro de mim depois do seu discurso ridículo de que “eu merecia alguém melhor”. Acontece que, naquele momento, você era tudo pra mim, era o melhor, tinha feito com que eu abrisse novamente as portas do meu coração. Mas em sua fraqueza, você achou mais fácil colocar um ponto final do que lutar ao meu lado por um “nós”, sua covardia frente à vida e à dura realidade de que eu precisava de você também, e não apenas você de mim, trouxe o fim. Meses de um sofrimento indescritível, e então a necessidade desesperada por você diminuiu até quase desaparecer.
O amor... acho que um pouco dele ainda permaneceu, afinal não se deixa de amar assim de repente. Carinho... uma réstia de desejo. Mas você não se preocupou em preservar nada disso. Minha função na sua vida nunca esteve tão clara. Eu sou a mulher madura que cala as próprias dores para ouvir as suas inseguranças. A que está sempre disponível com um discurso de autoestima preparado para cada situação. A droga que relaxa e acalma. O vício para o qual você corre quando acha que as coisas não vão bem. Eu sou o corpo que te satisfaz... apenas corpo e nada mais. E quando isso não é possível, eu não tenho qualquer importância na sua vida.
Com isso você perdeu todo o resto que sobrou de bom, alguma chama que ainda trepidava dentro de mim. A sua frieza soprou tão forte que apagou tudo.
Hoje olhei para as cinzas do que um dia existiu... não doeu em mim, não agora, nada mais dói. Eu aprendi com você, sei fazer igual, sei seguir o seu exemplo. Dessa vez o sopro foi meu, não quero seus restos em mim quando eu posso ter muito mais que isso. Não... eu não aceito as suas migalhas, obrigada!

Não há mais nada... e eu sorri. A realidade às vezes dói por um tempo, mas nada é tão libertador! E sabe querido... eu ainda tenho tanto pra voar... 

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