Eu odeio estar aqui, em plena
noite de sábado, refugiada no banho, deixando as lágrimas correrem com a água e
toda essa dor que sua falta ma traz. Eu odeio que você tenha me abalado tanto!
Odeio como todas as pessoas agora parecem sem graça e a mania que tenho de
procurar seu rosto por aí. Odeio notar traços seus em alguém... ou alguma outra
coincidência, porque eu deixo de enxergar o resto, numa fixação louca de algo
de você. Odeio querer ouvir sua voz, melodicamente no mesmo tom sempre. Odeio...
e muito, essa vontade de mirar seus olhos pequenos, tão cheios de vida,
segredos, anseios... Eu odeio que você seja esse homem incrível... Sabe, eu não
conheci muitos “homens”, na verdade, nunca encontrei alguém que fosse uma
pontinha do que você é! Odeio que você seja meu ponto de comparação, é injusto
demais! Sei que, passe o tempo que passar, ninguém irá te superar, o pódio é
seu! Odeio que você tenha me proporcionado tanta felicidade nas coisas mais
simples. Odeio o fato de que você estava sempre lá, e agora, ainda que eu
esteja no nosso lugar todas as manhãs, a calçada está vazia. Odeio me sentar
ali sem você e levantar meus olhos molhados de lágrimas para as árvores que
permaneceram, intocáveis, assim como esse amor que mora em mim. Odeio me jogar
na cama com suas fotos antigas nas mãos e as recentes na tela do celular. Odeio
a mania ridícula e clichê de conversar com suas imagens como se um dia você
fosse sair dali e me responder. Sabe... você tem o pulso mais lindo que já vi,
e odeio ter desenvolvido o fetiche de observar pulsos... o seu é imbatível!
Odeio todas essas boas lembranças, sem que exista ao menos uma ruim pra que eu
me agarre e sinta raiva de você! Odeio que tudo tenha sido tão bom... odeio sua
perfeição! Odeio não ter uma carta sua, adoro letras! E ainda que não a tenha
no papel, ela está bem nítida em minha memória. Odeio essa vontade doída de te
abraçar e acho que se um dia isso acontecesse, eu morreria dentro dos seus
braços, por medo de me afastar e ver você indo embora outra vez. Odeio ter
sentido seus lábios nos meus uma última vez... ainda que eu passasse a vida
escrevendo, não seria capaz de externar o quanto aquele momento foi especial
pra mim, como o mundo parou e o relógio voltou no tempo... em quando ainda
podíamos nos dar todos os beijos que quiséssemos. Odeio querer muitos outros
beijos teus... até que essa vida termine! Odeio as orquídeas que estão ali
fora, floridas, tão vibrantes... acho que você adoraria! Odeio meus queridos
peixes... eles ainda estão aqui porque como você disse, o segredo é não
matá-los de tanto comer. Eles sabem de tudo, conversamos muito... bom, na
verdade eu falo, enquanto eles ficam com esses olhinhos negros me observando.
Odeio o fato de não nos falarmos mais... e odeio saber que isso nunca deveria
ter acontecido. Odeio não ser dessas loucas que fazem escândalos em busca de
atenção... eu nunca faria algo que lhe causasse mal. Odeio como esse nó se
apodera da minha garganta, e essa vontade de lhe dizer tudo que sinto me tira
do eixo. Odeio estar aqui escrevendo todas essas coisas, odeio esse amor, odeio
te amar!
Daqui a 50 anos eu ainda vou lembrar seu nome, e como você me fez ser tão feliz...
Daqui a 50 anos eu ainda vou lembrar seu nome, e como você me fez ser tão feliz...

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