Você foi uma das minhas
paixões mais intensas... que acabou tão rápido quanto começou. E sabe... poucas
coisas são mais doloridas do que sufocar a paixão por não ser correspondida.
Fica aquela coisa dentro do peito louca pra escapar, aquele grito querendo
gritar, aquele abraço querendo abraçar, aquele beijo querendo infinitamente
beijar... É algo que no início não dá pra controlar, não dá pra sufocar, não dá
pra fingir que não existiu.
A paixão não aceita ser outra
coisa, e também não sabe abrandar, ou existe e se apodera totalmente da gente
ou simplesmente num belo dia, se foi. É devastadora! Quando a gente se apaixona
tudo se torna a outra pessoa, cada segundo do dia é pensando no outro, você se
arruma pra ele, tudo o que vê faz se lembrar dele, entrega o coração, a alma e
a vida naquelas mãos. E daí se o outro não está pronto pra segurar isso tudo? E
daí se simplesmente não quer? A paixão é risco, e ter que conviver com as
consequências desse risco pode ser destruidor.
Já o amor nada tem de loucura.
Enquanto a paixão é aquela chama consumindo tudo, o amor é como aquela tarde de
outono, de sol ameno, céu azul e uma brisa gostosa e calma. Vai chegando aos
poucos, e aumentando com o tempo de uma forma que nos permite a adaptação.
Diferente do que se diz por aí, o amor não é cego, a paixão sim! Quando se ama,
o outro não é perfeito, porque nós também não somos. O amor não esconde as
fragilidades de cada um, não faz com que você ignore na outra pessoa coisas que
ainda precisam amadurecer, e que você sabe que com o tempo irão. A paixão nos
cega pra tudo, e quando aquele por quem você se apaixonou decide que “não dá
mais”, parece que aqueles “defeitos” caem numa avalanche na nossa frente. Você
para pra pensar em “como não viu isso antes... como não notou que nunca daria
certo?” Quando a paixão era só paixão, você descobre um estranho naquele a quem
julgava conhecer tão bem.
É por isso que sei, ainda te
amo, mas não... não quero estar novamente apaixonada. O período de recuperação
foi o mais doloroso de toda minha vida. Esperar para que a paixão se esgotasse
totalmente foi uma eternidade de lágrimas. Mas, que bom que além da paixão,
havia amor. E quando a nuvem dela que encobria meus olhos se afastou, tudo
ficou mais fácil. Quando só o amor ficou eu pude entender... e o mais
importante, aceitar. Eu deixei de procurar o que tinha feito de errado e de me
culpar por mais um fracasso. Então, o amor, que diferente da paixão, aceita a
transformação, tornou-se um carinho gostoso e fácil de carregar. Assim, meu
coração era novamente meu, ainda que levando muito de você aqui dentro, e minha
vida era toda minha, permitindo que eu escolhesse quando e onde colocar você
nela. O amor me deu orgulho pra não pedir o que você não pode me oferecer, me
ensinou a ser “viva” mesmo com sua total ausência em momentos que eu tanto
precisaria dela. O amor me fez forte e totalmente consciente. É fácil te amar,
e também é fácil se apaixonar por você. O amor me deu cuidado pra que isso não
aconteça, e quando algo diferente ameaça chegar por aqui, o amor dispara um
sinal de alerta, me fornece a calma que preciso para colocar tudo de volta ao
lugar. Enquanto houver amor aqui dentro, eu sei que a paixão não vai me
enlouquecer novamente. Sei que falando assim parece fácil, mas não é! É difícil
não deixar a paixão chegar nos momentos em que você tem umas crises de homem
maduro e protetor... ou quando em suas molecagens me faz rir. É difícil quando
à noite, a paixão sussurra em meu ouvido que preciso ouvir sua voz, ou quando
algo acontece e ela se aproxima pra dizer que preciso lhe falar... Ela fica à
espreita sempre, aguardando um momento de vacilo... mas eu sei, não posso... e
não permitirei. O amor, esse cultivarei com carinho em meu coração, e enquanto
ele aqui morar, ficarei com sua serenidade. Com o tempo a gente descobre que
razão e emoção não são contrapontos, a gente percebe que dá pra amar com razão, e que é possível ser racional ainda que se ame! E eu... eu te amo com todo o
cuidado e a racionalidade que tenho aprendido a usar... Um amor que é passível
de controle, e que portanto, só há de fazer bem...

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