É engraçado como algumas cenas
jamais abandonam a nossa mente. E é mais engraçado ainda notar que normalmente
não são bons momentos... sabe-se lá o porquê de a nossa memória insistir em
guardar certas dores, em reprisá-las nos momentos mais inadequados... Parece
que os bons momentos devem ser realmente INCRÍVEIS para se fixarem em nossas
lembranças; o dia do casamento (enquanto ainda vai bem), o nascimento de um
filho, um sonho alcançado...
A minha memória então é
extremamente teimosa! E sem dúvida segue a regra de “memória de elefante”, se
apegando em fatos dolorosos. É fantástico a capacidade que tem em me mostrar em
“alta definição” alguns momentos. Por mais que o tempo passe, as imagens
continuam perfeitas, assim como o som e a sensação que provocam.
Eu sei, é preciso “deixar ir”,
perdoar, esquecer... mas... alguém pode me ensinar como se faz isso? É tão
involuntário! Essa história de não viver de passado, de tristezas e tal é muito
bonita, mas não é real! Alguns fatos nos servem de lições, mas outros só estão
ali pra fazer doer e, por mais que façamos, não nos abandonam nunca! Você conta
pra um amigo, escreve num papel pra desabafar (minha mania), chora, e pensa “pronto,
agora acabou!”. Mero engano! Num momento de descuido, lá está tudo de volta! Não
adianta fechar os olhos, tapar os ouvidos, balançar a cabeça pra se livrar
daquilo... não adianta!

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