segunda-feira, 14 de abril de 2014

Adeus...

Eu sei, não deveria escrever isso, mas eu precisava, meio que uma questão de sobrevivência. Talvez desfaça esse nó na garganta e eu consiga engolir algo (o que também é questão de sobrevivência), talvez eu me arrependa e me sinta ainda mais idiota, e me culpe ainda mais. Me culpe por ter saído dos meus propósitos, por ter começado algo que,  provavelmente eu ainda não estava preparada para viver... o ser humano e essa mania idiota de sempre dar voz aos sentimentos, colocando o cérebro no mudo. E agora eu to aqui, pensando em como fazer para seguir, vendo tudo acontecer novamente, só que dessa vez ta doendo, e é uma dor estranha, que não passa um minuto, um choro que eu seguro porque sei que se começar não terá fim, e eu não posso parar agora.
Por mais que eu não queira me levantar da cama, que tenha me lançado nela ontem e saído hoje, depois de assistir os sete filmes que programei para o nosso fim de semana (eram oito, mas não tive coragem de assistir o do Steve Jobs), e que nem sei do que tratavam, pedindo a Deus para dormir e não acordar, é preciso seguir, só não sei pra onde.
O banho não aliviou a dor, e o almoço, mesmo fazendo um grande esforço, não passou pela garganta. Entrei no carro e algumas lágrimas saltaram. Me bateu um desespero, um medo de perder o controle. Sufoquei a dor, liguei o rádio, mas as músicas me incomodaram. Abri todos os vidros para sentir o vento numa vontade de simplesmente fechar os olhos, mas não fiz isso! Eu mantive o controle. Agora estou aqui na sala, os alunos em silêncio, o som dos trovões lá fora trazendo mais chuva. Como na semana passada, vou me preocupar com você, vou brigar com São Pedro que mandou a chuva justo na hora que você terá que sair de moto, todas as vezes vou pedir a Deus pra te proteger.
Como em todos os dias, vou acordar e, antes mesmo de abrir totalmente os olhos, vou olhar pro celular esperando sua mensagem de bom dia, mas ela não virá. Vou chegar no trabalho, abrir meu armário para organizar os materiais das aulas ainda aguardando sua ligação, mas o telefone não vai mais tocar a nossa música, aquela do Skank que é só sua. Vou me arrastar para a sala, vou engolir o choro. Eu sei que não vai adiantar, depois de três anos juntos, esses anjinhos me conhecem tão bem, e hoje, quando entrei na sala, notei seus olhares, até que veio a pergunta “tá doente professora?”. Eu suspirei, meus olhos se encheram de lágrimas, e fazendo um esforço danado, eu disse que era só a rinite de sempre. No intervalo, uma das minhas amigas me perguntou como eu estava, não por conta de nós, porque ela não sabe, mas dos problemas de saúde, eu disse que hoje não estava muito bem e ela me abraçou... eu não aguentei e chorei, e de novo deu medo de não conseguir parar. Ninguém sabia o que dizer, eu vi o olhar assustado de cada amigo, tão acostumados a verem meu sorriso, minhas brincadeiras, e em tantos anos nunca uma lágrima, e então eu respirei... respirei e respirei... não quero assustá-los.
Mais tarde vou para o inglês, e mais uma vez o telefone estará mudo. E aí, eu precisarei voltar pra casa. Não terei vontade de ir rápido pra tomar banho e te esperar, você não irá. Eu não ficarei sabendo como foi seu dia, se terá prova, trabalho, se precisa estudar, se melhorou ainda mais aquele programa, se já está criando outro. A sua voz ficará ecoando como uma lembrança e só! Eu esperarei seu boa noite, farei todas as orações que conheço pra tentar dormir, terei sede, calor, frio, falta de ar, palpitação, vontade de chorar, raiva, terei saudade... Me culparei por ter começado, depois por ter tido um momento de fraqueza que me deixou carente e vulnerável, sentirei raiva de mim por ter insistido pra que você ficasse da forma como fiz, mas é que me bateu um medo de me arrepender depois, por não ter lutado pelo meu amor, eu engoli meu orgulho, e fiz aquilo tudo, que nunca imaginei ser capaz de fazer por ninguém.
E então, como agora, eu pensarei nas quermesses que iríamos, aquelas que você disse na semana passada, nos filmes no cinema, na pracinha, no carro que a gente ia lavar nos domingos, brincando com a água, no cachorro que a gente não teve, na sua bancada de trabalho, no sexo de manhã, à tarde e à noite. Pensarei que não sentirei seu corpo, seu calor, seus beijos, e nem você sussurrando “gostosa” no meu ouvido. Não verei você dançando It’s my life do Bom Jovi e nem cantando pra mim. Não enroscarei meus dedos em seus cabelos, nem beijarei o “pé” do seu ouvido. A gente não fará amor na sua moto e eu não terei mais você dentro de mim. Minha vida ficará vazia, meu corpo ficará vazio. Irá doer ainda mais a cada vez que eu pensar que outra pessoa tem tudo isso.
Eu lerei os textos que te escrevi, as mensagens no celular, no chat, verei nossas fotos. Pegarei o porta retratos que fiz com tanto amor e que você não teve tempo de ver, o chocolate em formato de coração para a Páscoa, que ficará aqui até que eu tenha coragem de fazer algo, assim como o seu caderno.

Os dias serão longos, as noites mais ainda, e os domingos insuportáveis, sem filmes, pipoca, sem você! Eu terei vontade de te ligar, escrever, ficarei parada naquele posto de gasolina como fiz hoje de manhã, olhando para o lugar onde sua moto estava no primeiro dia e imaginando você chegando e acabando com tudo isso, o que não aconteceu hoje e eu sei, não vai acontecer em nenhum outro dia. Enfim, eu terei que conviver com tudo isso, guardar meu amor que é grande demais pra caber em qualquer lugar aqui dentro de mim. Eu lerei tudo isso e me sentirei uma idiota, prometerei a mim mesma mudar, te arrancar na marra do meu coração. Talvez, depois dessa ressaca, eu vá reatar os antigos casos “ilegais” da minha pós separação e aí, será ainda pior, porque eu me lembrarei sempre de nós dois, de como tudo era prefeito, eu não terei prazer, buscarei incessantemente por isso, e viverei frustrada. Mas aí, acontece que eu não sou mais uma adolescente que pode passar a tarde pós escola deitada no sofá curtindo uma deprê. É hora de sonhar novos sonhos e retomar os antigos, mesmo que eu não tenha a mínima vontade. Mais uma vez... eu preciso dar conta, eu preciso ser forte... eu preciso! Mas acontece que eu te amo... e amo tanto!!!
Eu não acredito que você vá ler isso, espero que não... mas se acontecer, esqueça... 

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