Os dias
estão difíceis de serem vividos! Cada minuto é uma batalha travada pra aguentar
sem fazer uma loucura. Cada manhã uma espera pela noite, cada noite uma espera
por mais um dia. Odeio tudo! A rotina, o trabalho, as pessoas e principalmente
eu mesma. Odeio essa vida enfadonha a que tenho me submetido, todos os dias
sempre iguais fazendo coisas que não gosto, aturando pessoas que não gosto,
vendo o tempo passar e esperando que tudo isso acabe, seja de que forma for. Odeio
que todas as vezes em que algo não vai bem, eu me pergunte tantas vezes o
motivo do nosso desencontro. Nos últimos dias você tem povoado minha mente com
muita frequência e a intensidade de sempre. A cada hora me vejo com o celular
na mão, digitando seu nome no aplicativo de mensagens e lendo as conversas de
anos atrás. Nossa vida é repleta de lacunas, longas lacunas, longos anos vazios
e todas as impossibilidades reunidas.
Eu me
odeio por odiar tudo isso porque sei que, como se diz por aí, estou “reclamando
de barriga cheia” já que tenho uma vida confortável. Então me bate um
arrependimento, um medo, um remorso e tento buscar coisas positivas para me
agarrar. Isso não tem funcionado ultimamente. Estou cansada! Estou cansada
demais para me agarrar a algo, estou cansada demais e só quero me afundar. Estou
cansada, mas não posso... Não posso parar, não posso chorar, não posso
fraquejar! Eu preciso ser a rocha na qual tantos se apoiam, eu preciso
continuar fazendo as piadas de sempre, tendo as ideias criativas e motivadoras
de sempre, me dedicando ao trabalho, sendo fiel, sendo madura, sendo forte,
sendo tantas coisas que não quero ser, sendo tantas coisas que não sou, sendo
tantas coisas que já fui e jurei não ser novamente.
Volto para
nossas conversas, minhas mãos têm vontade de lhe escrever, mas silenciam por
medo, porque não quero aparecer em sua vida outra vez e estragar tudo que você
conseguiu construir, porque não quero ser “a outra”, porque não quero ouvir a
sua história com ela, porque tudo já tem sido demais pra mim! Queria sentar
contigo pra tomar um café, olhar seus olhos mais uma vez, segurar suas mãos,
ouvir sua voz. Queria dizer tanta coisa! Queria contar todos os sonhos que tive
“conosco”, os planos que fiz, as cenas que criei, mas não é justo! Não é justo
com a gente de novo!
Não é
justo nem mesmo lhe escrever essa carta, mas hoje realmente, foi preciso! Essas
palavras precisavam sair de mim, acho que é o pouco que me restou. Meu eu está
se esvaindo, indo embora, submergindo sob as ondas do cotidiano, das
responsabilidades, do que é correto ser feito e nunca do que tenho vontade de
fazer. Eu não me encontro mais em mim, o pouco que me resta do que fui está
entrelaçado a você. E “você” é território proibido, é só um sonho, só desejo,
só saudade. Você é tudo de bom que ficou e é o que de melhor continuará para
sempre dentro de mim.
“Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima”

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