domingo, 18 de maio de 2014

A vida lá fora...

Hoje é domingo... e eu odeio os domingos. Hoje é domingo e eu terminei agorinha de ler mais um livro daqueles que me fazem odiar ainda mais dias como hoje... domingos, frios, cinzentos, vazios e ao mesmo tempo tão cheios de você.
Estou aqui na cama, o livro fechado, alguns filmes do lado, uma poesia idiota escrita no caderno... uma que rabisquei agora e que diz sobre essa tentativa incessante de arrancar você de mim. Ainda não abri as janelas, não quero ver o dia... ainda não sai do quarto, não quero ver a vida...
O celular vibra sobre a mesa, eu já nem olho mais, sei que não é você e já estou cansada de inventar desculpas pra todas as pessoas que, de repente, acham que estou à procura de alguém. Talvez seja Deus testando o poder desse meu amor, ou talvez ele esteja tentando me ajudar e... coitado... não estou colaborando!
- Pego um avião pra te ver...
- Tô saindo daqui, chego aí em três horas...
- Te pego em casa...
- Puxa... só uma bebida...
Não... eu simplesmente não consigo! Não sei mais o que fazer! Eu não me reconheço, não me controlo! A vontade de estar com você toma conta de tudo. Dói... e não é uma dorzinha que passa. Ela me devora todos os dias, todas as noites...
Nada faz sentido e eu enlouqueço mais a cada minuto. Já tentei todas as estratégias pra fazer esse amor dormir dentro de mim... mas ele permanece desperto, se fazendo presente, gritando pra mim que não vai embora. Eu tenho que lutar pra não fazer uma besteira e te impor um pouco da minha presença... Meu anjo tem trabalhado tanto... com certeza tentou mudar meu rumo, quando notou que eu dirigia até sua casa. Sem dúvida gritou em meus ouvidos que eu não deveria fazer aquilo... Mas lá estava eu com uma caixa de livros de todas as disciplinas pedidas no vestibular e mais o meu note velho... bem no portão da tua casa... Bom, ele venceu... eu não segui em frente, mas os livros ainda estão no carro, aquele monte de balas também estão, e as milhares de lembranças... mais fortes do que nunca!
Tentei sentir raiva, criei mentiras... não adiantou. Por mais que eu tenha entendido que tem que ser assim... aceitar e conviver com isso é tão difícil. Eu sei que... ela é exatamente perfeita pra você... e mesmo que uma pontada de ciúmes chegue ao meu coração, eu não consigo pedir nada além de que você seja sempre feliz. Eu não desejaria jamais que você sentisse um pedacinho se quer dessa dor que eu tenho sentido, da vontade que surge todos os dias de dizer que eu te amo, de como minhas mãos anseiam em te tocar de novo, como meu corpo frio necessita do seu abraço, meus lábios do seu beijo, meus ouvidos de sua voz. A cada dia eu preciso mais de você... a cada dia eu digo ao meu desejo que “é impossível”.

E assim, o domingo vai passando... as janelas fechadas, a vida lá fora. Meus olhos se fecham também... a vida... lá fora...

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