Hoje é domingo... e eu odeio
os domingos. Hoje é domingo e eu terminei agorinha de ler mais um livro
daqueles que me fazem odiar ainda mais dias como hoje... domingos, frios,
cinzentos, vazios e ao mesmo tempo tão cheios de você.
Estou aqui na cama, o livro
fechado, alguns filmes do lado, uma poesia idiota escrita no caderno... uma que
rabisquei agora e que diz sobre essa tentativa incessante de arrancar você de
mim. Ainda não abri as janelas, não quero ver o dia... ainda não sai do quarto,
não quero ver a vida...
O celular vibra sobre a mesa,
eu já nem olho mais, sei que não é você e já estou cansada de inventar
desculpas pra todas as pessoas que, de repente, acham que estou à procura de
alguém. Talvez seja Deus testando o poder desse meu amor, ou talvez ele esteja
tentando me ajudar e... coitado... não estou colaborando!
- Pego um avião pra te ver...
- Tô saindo daqui, chego aí em
três horas...
- Te pego em casa...
- Puxa... só uma bebida...
Não... eu simplesmente não
consigo! Não sei mais o que fazer! Eu não me reconheço, não me controlo! A
vontade de estar com você toma conta de tudo. Dói... e não é uma dorzinha que
passa. Ela me devora todos os dias, todas as noites...
Nada faz sentido e eu
enlouqueço mais a cada minuto. Já tentei todas as estratégias pra fazer esse
amor dormir dentro de mim... mas ele permanece desperto, se fazendo presente,
gritando pra mim que não vai embora. Eu tenho que lutar pra não fazer uma
besteira e te impor um pouco da minha presença... Meu anjo tem trabalhado
tanto... com certeza tentou mudar meu rumo, quando notou que eu dirigia até sua
casa. Sem dúvida gritou em meus ouvidos que eu não deveria fazer aquilo... Mas
lá estava eu com uma caixa de livros de todas as disciplinas pedidas no
vestibular e mais o meu note velho... bem no portão da tua casa... Bom, ele
venceu... eu não segui em frente, mas os livros ainda estão no carro, aquele
monte de balas também estão, e as milhares de lembranças... mais fortes do que
nunca!
Tentei sentir raiva, criei
mentiras... não adiantou. Por mais que eu tenha entendido que tem que ser
assim... aceitar e conviver com isso é tão difícil. Eu sei que... ela é
exatamente perfeita pra você... e mesmo que uma pontada de ciúmes chegue ao meu
coração, eu não consigo pedir nada além de que você seja sempre feliz. Eu não
desejaria jamais que você sentisse um pedacinho se quer dessa dor que eu tenho
sentido, da vontade que surge todos os dias de dizer que eu te amo, de como
minhas mãos anseiam em te tocar de novo, como meu corpo frio necessita do seu
abraço, meus lábios do seu beijo, meus ouvidos de sua voz. A cada dia eu
preciso mais de você... a cada dia eu digo ao meu desejo que “é impossível”.
E assim, o domingo vai
passando... as janelas fechadas, a vida lá fora. Meus olhos se fecham também...
a vida... lá fora...

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