Ele era só um menino... ainda
perdido em seu mundo egoísta, em seus
dramas de quem está começando a vida, e pouco sabe das dores que ainda irá
enfrentar, das reais mazelas sociais.
Ele era só um menino,
preocupado em gritar sua solidão aos quatro cantos do mundo, quando na verdade
ainda não estava pronto para partilhar um relacionamento, uma vida, sonhos,
momentos...
Ele era só um menino, ocupado
demais com seus problemas, envolvido demais em suas conquistas, perdido entre
tantas dúvidas e incapaz de aceitar suas certezas.
Ele era só um menino, daqueles
que ainda precisam afirmar sua imagem nas redes sociais em busca de um olhar...
só um menino à procura de atenção, de ouvidos capazes de receberem suas
histórias, seus sonhos, sua inquietude, de mãos para afagarem seu rosto de
barba ainda falha, de colo para acolher suas fraquezas, de um corpo para lhe
dar prazer. Mas, por ser só um menino, ainda não sabia ouvir, suas mãos estavam
ocupadas demais para oferecer carinho, seu colo indisponível e que ainda não era
capaz de acolher um outro alguém.
Ele era só um menino que não
tinha ideia da força de um verdadeiro amor, porque simplesmente ainda não havia
amado.
Só um menino, incapaz de
avaliar suas atitudes, suas palavras, e usá-las para o bem, um menino que não conseguia
perceber que essa sua inconsequência causava dor, arrancava lágrimas de olhos
que ansiavam por vê-lo sempre bem.
Ele era só um menino e, ainda
assim... eu me apaixonei... me apaixonei exatamente por sua meninice. Eu lhe
ofereci meus ouvidos, mãos, colo, lhe entreguei meu corpo, meus dias, minhas
esperanças, meu coração.
Mas, ele era só um menino com
meu coração nas mãos e, sem querer, num momento de descuido, suas mãos
cederam... meu coração foi ao chão.
Ele era só um menino, e eu,
perto da sua juventude inconsequente, senti os anos pesarem em meus ombros, em meus
dias, em minha vida. Por ser um menino, ele me fez sentir velha, incapaz,
imprestável. Pra ele a vida era um começo e pra mim já era o fim, ele tinha
sonhos pra realizar, enquanto a mim não era nem mesmo dado o direito de sonhar.
Ele era só um menino, em busca
de uma garota... e eu... eu já não era mais uma garota...
Ele ainda é um menino, ainda
envolvido em suas inquietudes, ainda em busca da sua garota... e eu... eu nem
mesmo sei o que sou, mas sei que ele continua sendo o “meu menino”.

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