A vida é um jogo de azar... ou
de sorte. Desde que, ainda na infância, passamos a ter consciência dos nossos
atos, somos levados a fazer escolhas e a conviver com as consequências das
mesmas. Até uma determinada idade, essas escolhas pouco irão influenciar em
nosso futuro... que roupa vestir, que lanche levar pra escola, o que assistir
na TV, e outras coisas do tipo. Mas então o futuro começa a entrar em jogo.
Decidir uma profissão pra seguir e buscar formação nesta, analisar opções de
trabalho, iniciar/continuar/terminar relacionamentos, ir... ficar... Chegamos
então em um ponto da vida que, em cada esquina, surge um leque imenso de
opções.
Escolher dá medo porque,
inevitavelmente, ao optar por algo, se está excluindo o restante. Quando se
escolhe um caminho e segue-se nele por um longo tempo, muitas vezes não dá pra
voltar e optar por outro. A gente se sente num labirinto, parado, observando
atentamente as portas abertas sem saber por qual seguir... é preciso ter sorte!
Infelizmente não dá pra prever
o futuro, dar uma espiadinha lá na frente pra saber se é por ali que devemos
ir. De repente a gente segue por um caminho por longos anos, acredita que foi a
escolha certa, mas então, quando já percorreu quilômetros, descobre que a saída
não é por ali. Dá raiva! A gente se culpa, sente uma profunda frustração “Eu
sabia! Devia ter escolhido a outra opção! Claro que isso não daria certo!” O
fracasso bate na porta... tudo o que se construiu, cai por terra e é preciso
recomeçar! De onde tirar forças? E se fizer novamente uma escolha errada?
É inevitável! Sempre que uma
das opções que seguimos se mostrar inadequada, cairemos no mesmo poço do
arrependimento, sentiremos a mesma vontade de voltar no tempo e fazer tudo
diferente... acontece que não dá! Não somos o personagem do excelente filme “Questão
de tempo”, que até uma determinada época da vida, poderia voltar no tempo e
“consertar” o que julgava não ter saído “de acordo”. Temos que conviver com as
consequências de nossas escolhas e, alguns arrependimentos talvez nos
acompanhem até nossos últimos dias. O que pode amenizar um pouco essa sensação
de fracasso é pensar que, nada nos garante que a outra opção, a que não foi
escolhida, realmente seria melhor, o caminho ideal, a porta que nos levaria até
o fim do labirinto. De repente seria um caminho ainda mais tortuoso, difícil,
desgastante, e que nos levaria a “lugar nenhum”. Vai saber?!!!
O que podemos fazer é sempre
avaliar a caminhada, pensar se ela nos dá prazer e alegrias, apesar das
dificuldades, dos obstáculos. Observar se nos traz conhecimento, se nos faz
amadurecer e nos tornamos pessoas melhores. Porque nenhum caminho é fácil de
ser percorrido, mas quando este nos faz mais tristes, cansados, desanimados de
prosseguir, sem perspectivas e ausente de sonhos, algo está errado. É preciso
parar, refletir. Algumas vezes ter coragem de assumir que, mesmo depois de
tantos quilômetros, não é por ali! Porque quanto mais à frente se vai, mais
difícil é o retorno e a busca por uma nova estrada.
Não dá pra acertar sempre, mas
em todas as vezes, podemos absorver algum aprendizado, que nos fará mais
preparados para a próxima etapa. Nada é em vão... há um propósito para tudo.
Não é uma questão apenas de destino, afinal a vida não nos obriga a escolher
esse ou aquele caminho, mas, independente de por onde seguimos, nunca será
tempo perdido. Jamais saímos de uma situação sem nada levar dela...
As dúvidas estarão sempre
presentes, e isso é ótimo, pois não nos permite acomodar. Uma vida de certezas
é uma vida sem sonhos, estagnada, chata! Nossos caminhos são montanhas russas,
é preciso aproveitar os “altos” e neles se fortalecer, para que, no momento dos
“baixos” saibamos ter paciência, fé e a certeza de que é preciso também passar
por ali. Ninguém chega no topo da montanha sem começar a caminhada lá de baixo.
Enfim... que tenhamos essa
coragem e essa sabedoria sempre... de duvidar, abandonar o que não nos faz mais
bem e nos arriscar em novas jornadas... Para nós todos... sorte!!!

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