Eu até
repetia os versos da canção... “Ei medo, eu não te escuto mais, você não me
leva a nada!”, mas ele gritava alto dentro de mim e nem mesmo a música no
volume máximo o fazia se calar, e eu sabia que talvez nunca mais ouviria o seu
silêncio. As marcas deixadas eram profundas demais e imaginar que pudessem se
repetir era desesperador. Sentir a insegurança que nunca fez parte da minha
vida era estranho, triste. Meu “eu” despreocupado, sem paranoias, tão seguro,
já não existia mais e eu não gostava do novo que morava em mim.
Eu
adiei tudo isso, escolhi o caminho da razão, do vazio, fechei meu coração, mas
então de uma forma tão louca, e tão de repente isso não foi mais possível! Ele
chegou com tudo, arrebentou todas as minhas trancas e se instalou dentro de
mim. Tudo tão intenso, exatamente da forma como evitei.
E
então, eu me descobri tão frágil... e nesse momento eu encontrei o medo!
Primeiro o medo de que tudo voltasse a se repetir, o que só piorava ao ouvir as
pessoas dizendo que eu estava fazendo tudo igual. Mas não, isso não me alterou
tanto. O problema é que eu estava lá, no lugar errado, na hora errada. Eu
assisti àquela cena, que depois disso, nunca mais deixou de se repetir na minha
mente. Como num clique, descobri que era tarde, que eu já precisava dele mais
do que deveria. Eu não era mais capaz de me imaginar sem ele, já era o meu
vício, e por mais que doa admitir, que me pareça um total absurdo afirmar isso,
eu estava totalmente dependente.
Me invadiu aquele medo de
acordar e não viver a ansiedade à espera da mensagem de bom dia, de que a
janela no chat nunca mais estivesse ali, no canto da tela. Um medo profundo de
não tocar mais a pele dele e sentir seu corpo que me deixa louca. Não ouvia a
voz que me acalma a alma. Não ter mais os beijos que me fazem esquecer de tudo
e flutuar pelo espaço. Medo de não ouvi-lo mais antes de dormir. De olhar suas
fotos e sentir uma saudade que nunca será saciada com a presença dele. Um medo
profundo de ter que aceitar e conviver com o vazio que ele pudesse me deixar.
Me deu medo de perceber que esse medo agora mora dentro de mim!

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